ARTE NA PRAÇA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de junho de 2001
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
Houve um tempo em que as praças públicas eram fontes de lazer. As pessoas passeavam, se encontravam, batiam papo e, invariavelmente, participavam de manifestações culturais. É este espírito que a Secretaria de Cultura de Londrina quer resgatar com um plano de ocupação dos espaços públicos. Dentro desta idéia, foi criado o projeto Sexta na Concha, que vai realizar, toda sexta-feira, um espetáculo na Concha Acústica.
O projeto foi associado a uma idéia dos músicos Vitor Gorni e Gilson Corsaletti de revitalizar as bandas. Naquela mesma época em que as praças eram prazerosas, as bandas eram presença constante. Responsáveis pela formação de gerações de músicos, elas entraram em decadência na década de 70. O projeto Sexta na Concha entra em ação amanhã com apresentação de uma banda de música coordenada por Vitor Gorni, a partir das 18h30.
Trazer as bandas de volta à praça é uma iniciativa que vai além do saudosismo. Ao fomentar uma reinterpretação do espaço público como local de convívio social, o projeto promove o fortalecimento de noções de cidadania. A idéia de recuperar a tradição das bandas reafirma a existência de um repertório específico e contribui para a formação de instrumentistas e ouvintes.
Hoje em decadência, as bandas já foram motivo de orgulho para muitas cidades. Eram tão importantes que desenvolveram alguns estilos musicais, como o dobrado. E funcionavam como verdadeiras escolas de música. Arrigo Barnabé, por exemplo, lembra-se de uma apresentação triunfal da fanfarra do Marista, da qual fazia parte, no Estádio do Maracanã. O show antecedeu a final do mundial de futebol em 1963 entre Santos e Milan.
Os espaços públicos estão sendo transformados e não servem mais para o lazer das pessoas. Não se vai mais à praça ouvir música, explica o baterista Gilson Corsaletti. Havia uma efervescência muito grande de bandas na região até meados da década de 70. Muitos músicos profissionais surgiram daí, completa o regente e arranjador Vitor Gorni.
A nova banda de música londrinense foi montada com integrantes da Orquestra da Universidade Estadual de Londrina, da Banda da Polícia Militar, da Banda Municipal de Londrina, da banda de Cambé e da banda do Colégio Estadual Marcelino Champagnat.
É importante chamar a atenção de que é necessário dar apoio aos grupos que já existem. Vamos aliar esse objetivo ao resgate do repertório escrito para bandas. Isso faz parte da história cultural da população brasileira, destaca Vitor Gorni. O repertório da apresentação de amanhã traz dobrados, marchas militares, valsas, maxixes e choros.
Uma ocupação diferenciada também pode mudar a relação dos habitantes com o próprio centro urbano. É uma forma de pensar melhor a cidade. Na hora da apresentação vamos fazer um mutirão para varrer a Concha. Vamos levar as pessoas a ocuparem e terem atividades nas ruas, assegura o secretário Bernardo Pellegrini, lembrando que os shows serão relativamente baixos para não incomodar os moradores do entorno da Concha.
Sexta na Concha Apresentação com a banda de música coordenada por Vitor Gorni. Amanhã, às 18h30, na Concha Acústica de Londrina.


