Arte múltipla
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de abril de 1999
ReproduçãoLâmpada de 25 watts, (1996): de Abigail LaneElisa Marilia Carneiro 
Herdeiros da cultura pop dos anos 60, 15 artistas britânicos contemporâneos estarão expondo a partir de amanhã no Museu Metropolitano de Arte, em Curitiba. A mostra Multiple Choise reúne trabalhos gráficos realizados por ex-alunos da Goldsmith School of Art, da Inglaterra. A abertura será às 20 horas numa promoção conjunta da Fundação Cultural de Curitiba e Conselho Britânico, com apoio da Cultura Inglesa.
Utilizando-se dos espaços industriais do leste londrino, vagos desde o colapso das tradicionais indústrias locais de manufatura, jovens artistas, em início de carreira na passagem dos anos 80 para os 90, organizaram exposições de trabalhos próprios e de artistas contemporâneos contando com o apoio de patrocinadores do setor de serviços.
ReproduçãoPlanilha Para Minha Futura Cirurgia Plástica, (1992): de Marc QuinnDe acordo com esta nova atitude, os grupos de artistas emergentes perceberam que, agindo com determinação e atuando como participantes autônomos no jogo do mercado de artes, seria possível alcançar um reconhecimento profissional independente dos canais comerciais.
As mudanças sociais da época contribuíram para o surgimento de estruturas alternativas no cenário cultural, quer de origem erudita ou popular. Graças ao aumento da circulação de informações, associado ao boom econômico dos anos 80, os artistas tiveram em estágio inicial de formação, um amplo acesso ao mercado de artes, passando a entender claramente seus mecanismos, através de um volume sem precedentes de material especializado em arte contemporânea internacional.
ReproduçãoGravura sem título de Simon Patterson (1996)A excêntrica mistura entre o materialismo e o conceitualismo, característicos dos anos 80, veio contribuir para que os artistas não apenas reconhecessem abertamente a ação do mercado como a força motriz de todo e qualquer tipo de êxito artístico, mas para que validassem a manipulação deliberada desta ação, transformando-a em estratégia artística.
Os artistas presentes nessa mostra não são tradicionalmente gravadores, muitos deles só fizeram as gravuras que estão incluídas nesta exposição. A maioria, porém, já possuía a destreza e o domínio dos métodos de produção de gravura e adotou uma atitude pragmática, trabalhando até mesmo em conjunto com especialistas para atingir os efeitos desejados em suas obras.
O foco dos trabalhos está nas questões do humano, no que tange à experiência psicológica humana. Os cidadãos comuns, os métodos de informação e a estética urbana são os temas mais frequentes. Em sua itinerância pelo Brasil, a mostra, já apresentada no Paço Municipal do Rio de Janeiro, será levada também a São Paulo e Brasília, completando um circuito que teve início em julho de 1997 em Lima (Peru), passando pela Bolívia, Venezuela e Cuba.
ReproduçãoOlho (1993): de Grenville DaveyQuinze artistas participam da exposição: Grenville Davey, Dominic Denis, Angus Fairhurst, Damien Hirst, Gary Hume, Abigail Lane, Michael Landy, Ben Langlands, Nicholas May, Simon Patterson, Marc Quinn, Marcus Taylor, Gavin Turk, Rachel Whiteread e Craig Wood.


