Giovanni Rich/Divulgação‘‘Conforme con le norme vigenti’’, um dos trabalhos expostos no MACDuas artistas, uma brasileira e uma italiana, abrem hoje, no Museu de Arte Contemporânea, em Curitiba, a exposição ‘‘Rendição-Transporte-Abandono’’. Carla Vendrami (Brasil) e Antonella Ortelli (Itália) prepararam seus trabalhos que são uma mistura de escultura, desenho, instalação. Em outra palavra, multimídia.
Há oito anos Antonella e Carla, juntamente com outros artistas e críticos, desenvolvem pesquisas nesta área. Parte dessa trajetória está vindo com ‘‘Rendição-Transporte-Abandono’’. O título reúne palavras que no conjunto não representam uma unidade, mas isoladamente sintetizam conceitos que sustentam o projeto.
‘‘Rendição’’ trata basicamente do encontro, do diálogo. A relação de entendimento e cumplicidade que existe entre o trabalho das duas artistas. É também a tradução de ‘‘Resa’’, exposição que com este mesmo sentido foi levada na Itália em 1994.
‘‘Transporte’’ sugere a vinda ao Brasil das obras e das idéias de ‘‘Resa’’; as modificações e adaptações indispensáveis, sem que tenha havido, no entanto, alteração da essência. Seria como uma ‘‘tradução brasileira’’ na remontagem, de acordo com o espaço oferecido.
‘‘Abandono’’ está mais ligado ao significado italiano da palavra ‘‘dono’’ que quer dizer ‘‘presente’’, ‘‘doação’’. Remete um pouco à rendição no sentido de oferecimento e entrega. Dentro dessa linha proposta pelas duas artistas, há liberdade para se trabalhar com obras cedidas por colegas. Devido a essa abertura, trabalhos de Luca Quartana e Marzia Belloli, ambos italianos, também estarão expostos.
Chão e paredeO visitante da exposição irá se surpreender com as obras de Antonella Ortelli - em vez de instaladas nas paredes, estarão espalhadas pelo chão. ‘‘O chão é muito importante. As pessoas terão que estar atentas’’, diz Antonella. ‘‘Normalmente não prestamos atenção à terra, ao chão, mas quando alguém o faz anda mais lentamente, a postura é outra’’.
Os trabalhos de quatro mostras realizadas na Itália vieram para cá: ‘‘Perfume’’ (89), ‘‘Conforme con le norme vigenti’’ (91), ‘‘Presente’’ (93) e ‘‘Resa’’ (94). O material utilizado é diverso, tem de peças de roupas a plásticos, tecidos, rolos de desenhos, frutas. Ou melhor, cocos. Houve ocasiões em que Antonella lançou mão de pencas de bananas e tapetes de rosas - tudo pintado com spray.
Enquanto no térreo ficam as criações da artista italiana, o primeiro andar é todo ocupado pela ‘‘máquina para habitar’’, de Carla Vendrami. Assim ela define o ambiente interno do museu, com a paisagem externa. ‘‘Eu queria ter um lugar em que as pessoas entrassem e sentissem que podem estar tanto separadas quanto ligadas ao lado de fora, mas presentes neste espaço’’.
Duas das salas do prédio serão ligadas por uma barra de ferro. Uma terceira, menor, servirá para circulação dos transeuntes. Quando se diz ‘‘circulação’’ é no sentido exato da palavra, pois sinais nas paredes indicarão a movimentação circular.
Noutros ambientes serão encontrados desenhos brancos sobre preto, grandes redes negras e ‘‘espaços de memórias’’ - trabalhos mais antigos, nunca exibidos no Brasil. Por exemplo uma série de máscaras de metal e objetos em madeira ligados à representação do corpo.
No aeroportoA exposição de Carla e Antonella é uma das etapas do ‘‘Projeto Interação’’, que elas trazem com esta mostra. O projeto se completa com uma série de oficinas gratuitas a artistas, estudantes e público em geral, que as duas irão ministrar de 14 a 25 no próprio museu. Com elas também veio a crítica Maria Ausília Binda, que discorrerá sobre a obra da crítica italiana e teórica do feminismo Carla Lonzi.
Como toda obra das duas artistas tem um cunho social, elas desenvolveram o ‘‘Projeto Casina’’, idealizado para o presídio feminino de San Vittore, em Milão. É uma espécie de tenda de estrutura móvel, construída com tubos e juntas metálicas. O tecido é o mesmo usado na confecção de pára-quedas. Suas paredes abrigam criações da dupla em conjunto com as prisioneiras.
Na Itália a ‘‘Casina’’ já foi montada em uma galeria de arte e numa escola. Aqui ficará instalada no Aeroporto Internacional Afonso Pena, de sexta-feira até 21 de abril.
Exposição ‘‘Rendição-Transporte-Abandono’’, de 23 de março a 21 de abril no Museu de Arte Contemporânea do Paraná. Abertura dia 12, às 18h30. Oficina ‘‘Abandonar a Arte?’’, com Maria Ausília Binda, de 14 a 18 de março, das 16h às 18h, no MAC. Oficina com Antonella Ortelli, de 17 a 24 de março, das 15h às 18h, no MAC. Oficina com Carla Vendrami, de 17 a 25 de março, das 15h às 18h, no MAC. Projeto Casina: de 14 de março a 21 de abril, no Aeroporto Afonso Pena. Apoio: Infraero.

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