Arte multimídia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de dezembro de 1998
Jackeline Seglin 
O artista plástico curitibano Washington Silvera abre hoje, às 20h30, em Londrina, a exposição Metáforas Visuais. Nove trabalhos ficam em exposição na Sala Celso Garcia Cid, no Cine-Teatro Ouro Verde, até o dia 3 de janeiro. Esta é a primeira exposição individual que o artista faz fora de Curitiba.
Filho de marceneiro, Washington Silvera iniciou sua formação com o escultor David Zugman e passou a desenvolver seus estudos tendo a madeira como material básico de trabalho. A madeira sempre me acompanhou. Mas agora estou mesclando meu trabalho com vídeo, fotografia e outros materiais, como gesso, conta o artista.
Nessa tentativa de ampliar seu campo de pesquisa, surgiram novas idéias. Silvera criou em parceria com o videomaker Das Wasber o videoarte Ruído Surdo, no qual usou textos de José Miguel Wisnick, John Cage e Haroldo de Campos. Gosto de estar acompanhando outras artes e passeando por outras mídias, observa.
Outra criação que o artista apresentará em Londrina é o catálogo multimídia em forma de CD-Rom, resultado da participação na mostra interativa entre poesia visual, música e artes plásticas Seis Reflexões à Luz de Ítalo Calvino.
Washington traz para Londrina, além do vídeo e do CD-Rom, oito objetos de três fases da sua carreira, iniciada em 1992. Eu sempre trabalho com temas. Somente os primeiros objetos foram feitos numa forma puramente estética, numa linha mais minimalista. Meu segundo trabalho foi baseado no instrumento musical berimbau, conta. Enfim, a terceira exposição individual de Washington Silvera foi calcada em textos do italiano Ítalo Calvino.
Nesta última pesquisa, o artista desenvolveu três peças que tratam da exatidão, visibilidade e multiplicidade. No primeiro, desenvolvi um arco e flecha, objeto que exige exatidão para ser manejado. No segundo, trabalhei com fotografia, dando ênfase à própria moldura. E então trabalhei com ovos, colocando 17 deles, em pé, lado a lado, para mostrar a questão da multiplicidade, explica.
Para Washington Silveira, a metáfora não acontece somente na linguagem oral, mas também na visual. Por isso criou objetos como a torneira da qual não sai água, o arco e flecha que não atira etc. Quem for visitar a exposição em Londrina poderá ver de perto a intenção do artista.


