Arte ingenuamente bela
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de dezembro de 1998
ReproduçãoObra de Ana Maria Dias: exemplo de arte naifSimone Mattos 
A natureza paradisíaca, o clima tropical e o otimismo do povo brasileiro são representados em obras de arte, coloridas de forma exuberante. Mais de 200 pinturas que utilizam esta técnica foram reunidas num único livro, A Arte Naif no Brasil, que será lançado amanhã, em Curitiba.
Para o franco-belga Jacques Ardies, que concebeu a obra, o livro significa a realização de um sonho. Ele está há 25 anos no Brasil. Em 1995, lançou o vídeo Art Naif no Brasil, mas achou pouco. Após muita pesquisa e dedicação, chegou ao livro de mesmo título, lançado oficialmente em São Paulo, no mês passado.
A obra tem textos de Geraldo Edson de Andrade e foi editada pela Empresa de Artes. Para quem vê o livro, é fácil perceber que a arte naif prioriza o otimismo. Seus artistas pintam a terra e o povo, mas não como uma cópia da realidade.
Eles aparecem sempre com muita alegria, luz e fantasia. Na opinião de Ardies, o Brasil é um dos quatro países com os melhores artistas do gênero. O povo sensível e alegre se encaixa de maneira perfeita ao movimento, garantindo um lugar de destaque no cenário nacional.
Procuramos oferecer uma visão da produção dos artistas fundamentais que fizeram ou ainda fazem a história do movimento, complementado pelos mais jovens que lutam para conquistar seu espaço, conta Ardies.
ReproduçãoObra de Edgar Calhado: o colorido aparece nos mínimos detalhesO estilo naif foi classificado pela primeira vez no século 19, pelo francês Henri Rousseau. No Brasil, surgiu em 1937, com o pintor Heitor dos Prazeres, que retratou muito bem o cotidiano carioca. A pintura naif retrata a cultura de um país, sua natureza e seus costumes.
Seus artistas não frequentam escolas de pintura e normalmente são autodidatas. A essência dessa arte é exatamente a total liberdade de exigências técnicas, o que permite ao artista apresentar obras originais e espontâneas. É comum que ele represente o seu mundo particular, utilizando lembranças da infância e de sua terra de origem.
No Brasil, as cores amarela e verde são muito usadas nas pinturas naif. A arte é marcada pelo regionalismo e por traços autobiográficos. O livro A Arte Naif no Brasil reúne 211 reproduções e 77 biografias dos principais artistas do movimento.
Segundo Ardies, a publicação não pretende esgotar o assunto. Queremos que seja um relato sincero da nossa cultura popular, sob a ótica de artistas de todas as regiões, diz. Ele é um apaixonado pelo Brasil e classifica a arte local como ingênua, cujas características básicas seriam a exuberâncias de cores, a simplicidade e o lirismo.
Entre muitos outros nomes do movimento naif brasileiro estão Maria Auxiliadora, Heitor dos Prazeres, Constância Nery, Corina Ferraz, Fernando da Silva, Henry Victor e Maria Bernadete Amorim.


