A natureza paradisíaca, o clima tropical e o otimismo do povo brasileiro são representados em obras de arte, coloridas de forma exuberante. Mais de 200 pinturas que utilizam esta técnica foram reunidas num único livro, ‘‘A Arte Naif no Brasil’’, que será lançado amanhã, em Curitiba.
Para o franco-belga Jacques Ardies, que concebeu a obra, o livro significa a realização de um sonho. Ele está há 25 anos no Brasil. Em 1995, lançou o vídeo ‘‘Art Naif no Brasil’’, mas achou pouco. Após muita pesquisa e dedicação, chegou ao livro de mesmo título, lançado oficialmente em São Paulo, no mês passado.
A obra tem textos de Geraldo Edson de Andrade e foi editada pela Empresa de Artes. Para quem vê o livro, é fácil perceber que a arte naif prioriza o otimismo. Seus artistas pintam a terra e o povo, mas não como uma cópia da realidade.
Eles aparecem sempre com muita alegria, luz e fantasia. Na opinião de Ardies, o Brasil é um dos quatro países com os melhores artistas do gênero. ‘‘O povo sensível e alegre se encaixa de maneira perfeita ao movimento, garantindo um lugar de destaque no cenário nacional’’.
‘‘Procuramos oferecer uma visão da produção dos artistas fundamentais que fizeram ou ainda fazem a história do movimento, complementado pelos mais jovens que lutam para conquistar seu espaço’’, conta Ardies.
ReproduçãoObra de Edgar Calhado: o colorido aparece nos mínimos detalhesO estilo naif foi classificado pela primeira vez no século 19, pelo francês Henri Rousseau. No Brasil, surgiu em 1937, com o pintor Heitor dos Prazeres, que retratou muito bem o cotidiano carioca. A pintura naif retrata a cultura de um país, sua natureza e seus costumes.
Seus artistas não frequentam escolas de pintura e normalmente são autodidatas. A essência dessa arte é exatamente a total liberdade de exigências técnicas, o que permite ao artista apresentar obras originais e espontâneas. É comum que ele represente o seu mundo particular, utilizando lembranças da infância e de sua terra de origem.
No Brasil, as cores amarela e verde são muito usadas nas pinturas naif. A arte é marcada pelo regionalismo e por traços autobiográficos. O livro ‘‘A Arte Naif no Brasil’’ reúne 211 reproduções e 77 biografias dos principais artistas do movimento.
Segundo Ardies, a publicação não pretende esgotar o assunto. ‘‘Queremos que seja um relato sincero da nossa cultura popular, sob a ótica de artistas de todas as regiões’’, diz. Ele é um apaixonado pelo Brasil e classifica a arte local como ‘‘ingênua’’, cujas características básicas seriam a exuberâncias de cores, a simplicidade e o lirismo.
Entre muitos outros nomes do movimento naif brasileiro estão Maria Auxiliadora, Heitor dos Prazeres, Constância Nery, Corina Ferraz, Fernando da Silva, Henry Victor e Maria Bernadete Amorim.

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