ARTE INFINITA
Mauro Frasson
Elisa Marilia Carneiro
A infinitude das formas, da matemática, do tempo e do universo estão presentes na obra do artista plástico Paulo Whitaker. Criar problemas e pensarsoluções é a sua maior motivação. Por sua vez, o desenhista Alex Cerveny, discute o sentimento do artista em relação à originalidade. Os dois paulistas estão expondo, em Curitiba, na Casa da Imagem, de hoje até 31 de julho.
Pensando em fazer uma obra e não a obra, Whitaker trava um embate com cada uma das suas telas. Acrescendo e subtraindo procuro a especificidade da pintura. É difícil descrever um trabalho. A pintura é poética visual, conclui.
Grandes formatos, 2,70 X 2,00 metros, ampliam as possibilidades de desdobramentos do espaço bidimensional. Sou um dos resistentes, que permanecem na pintura plana, comprimento e largura. Não uso sombras para efeitos de três dimensões. Prefiro as linhas e massas, os claros e o fundo, explica Whitaker.
Imagens repetitivas vão de uma tela a outra. Uma forma leva à seguinte, acrescento ou subtraio. Penso muito na questão do que é infinito e exploro isso no meu trabalho, conta Paulo. Ele diz que a construção de cada um dos trabalhos pode ser facilmente percebida, como num processo de erros e acertos.
A figura inicial de cada obra é o seu ponto de partida. Esta primeira idéia está clara quando chego no atelier. Nunca a final, por que tiraria a variação do percurso, esfriaria o trabalho. Pintar é tomar decisões o tempo todo. Assim, vou descobrindo o que é o meu trabalho.
Sempre muito econômico com o espaço e com as cores, Whitaker diz que para ele é difícil povoar suas telas. Sou muito enxuto. Não gosto muito da cor no fundo da tela. O preto e o branco são um limite, por enquanto. Quero explorar todo esse processo. Ainda há muitas possibilidades.
A imensa tela branca foi feita a partir das subtrações. Haviam muitos elementos. A tela precisou ficar num teste de sobrevivência no atelier durante três dias. É como num jogo de dobro ou nada. Ou a tela recebe um ganho ou vai pro lixo, conta.
Sem simetrias, Whitaker trabalha com agrupamentos, magnetismo ou rejeição. Há sempre uma área de silêncio nas telas, que procuro respeitar. A negação e a afirmação encontram a concentração mais acertada, dando ritmo às diferentes soluções.





