Arte fotográfica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 1998
Telma Elorza 
Analisar a produção artística contemporânea que se alimenta de referências fotográficas e as inter-relações entre fotografia e artes plásticas ao longo deste século foi o tema do workshop Campo Latente, ministrado pelo artista visual paulista Rubens Mano, durante a programação técnica da 5ª Semana de Arte de Londrina. O workshop foi encerrado ontem, na Universidade Estadual de Londrina.
Mano, arquiteto e fotógrafo, é um dos coordenadores do Projeto Panoramas da Imagem que, juntamente com Everton Ballardin, Eli Sudbrack e José Fujocka, promove uma série de atividades que oferecem possibilidades para uma leitura reflexiva sobre a presença da imagem fotográfica na arte contemporânea, sem necessariamente a aderência do suporte fotográfico. Este workshop se encaixa dentro deste projeto, que a gente vem desenvolvendo desde 1992. E o meu objetivo foi tentar trazer esta reflexão para Londrina - explica.
Segundo ele, a fotografia surgiu como uma renovação do repertório da pintura. E hoje, dentro da arte contemporânea, é um índice referencial, mesmo que em um campo latente, em questões que não estão visíveis.
Para ele, levantar as maneiras como a fotografia está presente pode ser um caminho para o aprofundamento da arte na maneira de ver como isto faz parte do dia-a-dia do artista e como poderia detonar um projeto de pesquisa mais aprofundado. Segundo Mano, esta é uma tendência que não pode ser ignorada. O que se constata, na realidade, é que a produção fotográfica vem se deslocando, desde os anos 80, de uma atitude descritiva para uma reflexão da nossa cultura, da nossa história - afirma.


