A artista plástica Letícia Faria abre hoje, às 20 horas, no Museu Metropolitano de Arte (MUMA), em Curitiba, a exposição de esculturas ‘‘Vigília’’. Ao todo, a artista estará mostrando, até o dia 10 de maio, 13 esculturas produzidas em madeira, ferro, alumínio, resina e massa universal. A promoção é do museu, com patrocínio da Fundação Cultural de Curitiba, Viação Garcia e Banestado.
Mineira, radicada em Londrina há 23 anos, Letícia apresenta, nesta exposição, o resultado de quatro anos de pesquisa. As obras, em sua maioria inéditas, fazem parte de um ciclo que começou com a instalação da Capela do Juvenato Marista, em Londrina, em 1991 - com o tema Apocalipse -, e passou pela série ‘‘Espírito Santo’’, em 93. ‘‘Depois de trabalhar com a energia do espírito, perceptível mas não palpável, senti necessidade do corpo e da carne. A junção do espírito com o corpo faz com que o indivíduo se sinta inteiro e feliz. E o que eu tentei materializar foi este mistério, que é vida e morte’’ - diz.
As 13 figuras - ‘‘Dona Santa’’, ‘‘Mamma Mia’’, ‘‘Bolo de Rolo’’, ‘‘Maria Filha de Maria’’, ‘‘Minha Princesa’’, ‘‘Massa Universal’’, ‘‘Modelo Padrão’’, ‘‘Desencarnado’’, ‘‘Arca de No钒, ‘‘Dragões da Independência’’, ‘‘Arcano’’, ‘‘Batizatu’’ e ‘‘Amuleto’’ -, segundo Letícia, trazem em si toda a vivência, experiências, sensações e percepções atemporais reunidas num espaço indefinido que existe dentro da sua realidade interior. ‘‘Elas são tudo isto traduzidas em matéria. O real é o que está no nosso corpo e o que chamamos de realidade é apenas uma verdade individual. Está é a minha verdade que materializo em ferro, alumínio, madeira e massa universal, numa tentativa de traduzir este mistério que é viver, em formas que eu chamo de mitos’’ - diz.
Segundo ela, este mistério só é percebido quando se está em estado de vigília. ‘‘O Aurélio (dicionário) define vigília como privação de sono. Mas que eu acho que vai além da privação orgânica. Seria como uma abertura plena de sentidos, estar completamente livre de preconceitos e sem se ligar a estruturas formais. E foi este estado de vigília que me levou a captar alguma coisa a mais, formas livres que chegaram até mim já completas, embora fluídas e imateriais’’ - conta.
Com seus ‘‘mitos’’, Letícia coloca a estranheza da vida em reflexão, para atingir e questionar os mitos deste final de século. ‘‘As pessoas se encontram num momento estanque. Ninguém mais faz uma reflexão profunda do seu próprio eu. A mídia está aí criando novos mitos e ídolos a cada dia, criando necessidades e desejos de consumo que não são nossos, e a gente recebendo tudo isto passivamente. Eu espero que, com este trabalho, as pessoas saiam deste estado paralisante que se encontram e passem a refletir, passem de criaturas a criadores. Só aí teremos condições de seguir em frente’’ - afirma.
Exposição ‘‘Vigília’’ - esculturas de Letícia Faria - abertura hoje, às 20 horas, no Museu Metropolitano de Arte (Av. República Argentina, 3.430, fone 322-1525), Curitiba. A exposição fica no museu até 10 de maio.

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