Josoé de CarvalhoGarotos do União da Vitória são os artistas do Projeto Cidade dos AnjosO spray atravessa a forma de cartolina, transformando-se em desenho ao tocar o muro. E as crianças do Jardim União da Vitória se divertem na produção de grafites, enquanto a fachada do Cemitério São Pedro, em Londrina, ganha um colorido diferente. Reunir crianças carentes, grafiteiros e revitalizar espaços públicos é um dos objetivos do Projeto Cidade dos Anjos.
Com apoio do Rotary, da Associação Comercial e Industrial de Londrina - Acil -, Projeto Piá - do Governo do Estado - e Secretaria Municipal de Cultura, o Projeto Cidade dos Anjos surgiu a partir da experiência do advogado André Galvão, que já havia ministrado oficinas de grafite em Londrina, e do assessor de imprensa da Acil e jornalista da Folha, Roberto Francisco, que pensava em decorar com paisagens alguns paredões de edifícios antigos da cidade.
Josoé de CarvalhoO muro do Cemitério São Pedro foi o primeiro espaço beneficiado pelo projeto
‘‘Como esse tipo de trabalho não dá para ser feito aqui, por falta de estrutura e mão-de-obra, optamos por outro espaço’’, comenta André Galvão. O muro do Cemitério São Pedro que foi utilizado para a realização do projeto está sob responsabilidade do Posto Rio, permissionário do espaço.
Em associação com o Projeto Piá, o Projeto Cidade dos Anjos levou sete garotos do Jardim União da Vitória (Zona Sul) para colaborarem na decoração. As crianças aprenderam a chumbar peças de cimento, a fazer matrizes para grafite, a misturar tintas e utilizar o spray.
‘‘Aqui os garotos estão aprendendo uma técnica que pode se tornar um ofício, uma profissão, pode ser o início de um interesse por artes plásticas, gráficas ou desenho técnico. Além disso, se sentem valorizados em ver que há pessoas se preocupando com eles’’, explica Galvão.
O projeto, que conseguiu patrocínio das Tintas Coral, pode se estender a outros locais da cidade. ‘‘A idéia é ocupar diversos espaços e, se possível, tentar até revitalizar o centro velho, localizado abaixo da Rua Mato Grosso’’, ressalta Roberto Francisco.
Expressão característica de cidades muito populosas, o grafite chegou a Londrina por influência de São Paulo. ‘‘É uma coisa livre, utilizamos várias técnicas, como pincel, rolinho e spray, tudo é muito improvisado’’, esclarece Galvão.
Os menores parecem ter gostado da experiência. É o que garante Tiago Henrique Queiroz, de 12 anos: ‘‘Lá no Projeto Piá fazemos pintura em cartolina e nos chamaram para pintar o muro. Eu achei legal e pretendo continuar. Até meus amigos ficaram interessados’’. Tatiana Sayuri, também com 12 anos, tem a mesma opinião: ‘‘Estou aprendendo a pintar e a mexer com o spray, e achei que o resultado ficou muito bom’’. O trabalho já está concluído, e o muro se tornou uma exposição permanente de molduras que abrigam anjos de diversos tipos e cores.

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