DivulgaçãoProgressoNão é uma crítica ao crescimento mas um alerta para que seja ordenadoSão tapumes que não têm nada a ver com tábuas, mas com a verticalidade urbana. Assim define sua obra, a artista plástica paulista Márcia Litério que faz sua primeira individual no Paraná, de 15 a 26 de setembro, no Woodside.
Uma verticalidade que provoca a reflexão ecológica. ‘‘Não é nenhuma crítica ao crescimento mas um alerta para que seja ordenado sem prejudicar o ambiente’’, reconhece Márcia.
Segundo ela, os tapumes simbolizam barreiras, representam o urbano e sua estética cada vez mais alta. ‘‘Ando pela cidade e observo as construções. Busco também informações do cotidiano para colocar nos quadros.’’ Márcia conta que os tapumes também são um lugar de comunicação, ‘‘como uma tribuna’’. Eventualmete a artista trabalha os quadros com colagens, com cotação de bolsa de valores, propagandas. ‘‘Tudo isto compõe um trabalho maior, porque são usados como instrumento de protesto, de propaganda política e declarações de amor’’, argumenta.
Como material, ela usa cera, farelos, fiapos de tecidos, pó de mármore, areia e gravetos, com a técnica da encáustica mista. ‘‘Assim vou compondo a tela, que também é artesanal, confeccionada por mim mesma com tecido de algodão. Da mesma forma, uso pigmentos naturais nos meus trabalhos, como pigmentos da terra’’, conta.
DivulgaçãoArtesanalA tela também é confeccionada pela própria artista em tecido de algodãoPara perceber todas essas nuances do trabalho de Márcia, é preciso usar a arte de aproximação. ‘‘De longe as pessoas percebem as cores, as formas, mas só de perto é que percebem as colagens, que ficam discretas na finalização da tela’’, diz.
O grande desafio de Márcia é obter de um material denso e opaco, uma transparência na sobreposição de camadas. ‘‘Às vezes interfiro com estiletes, e este gesto fica gravado irremediavelmente na pintura. Se forem profundos, deixam à mostra as entranhas do trabalho revelando sua gênese. Nessa técnica, tudo o que for grudado, raspado, colado, sobreposto, fica exposto. Minha interferência é definitiva. Não tem retorno.’’
Há quatro meses, Márcia vem se dedicando aos ‘‘tapumes’’. Na mostra, que conta com nove telas, ela quer passar ao público as impressões e fantasias de tudo que acontece dos dois lados destas barreiras sem nenhum compromisso com a semelhança. ‘‘Quem está do lado de fora vê frestas, mistérios, janelinhas, andaimes, ferros. Quem está dentro, no meio da lama, pedras e cimanto observa, pelas fendas, a vida passar’’, comenta.

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