A reciclagem como linguagem contemporânea ganha espaço de destaque em exposição promovida pela Brahma. O ‘‘Brahma Reciclarte’’ é um evento anual - está na 3ª edição, as duas primeiras aconteceram no Rio de Janeiro - dedicado à conscientização e educação ambiental, com foco no reaproveitamento de resíduos e materiais descartáveis.
Uma grande exposição montada no Memorial de Curitiba até 6 de dezembro, com o tema ‘‘Artes Plásticas, Design e Moda’’, apresenta cerca de 35 looks de estilistas e confecções famosas - como Alice Tapajós, Maria Bonita e Zapping - e aproximadamente 40 peças de artistas plásticos - como Elvo Benito Damo, Sérgio Monteiro de Almeida, Hélio Pellegrino, Nido Campolongo, Célio Rodrigues e Olga Nardi.
‘‘Um dos meus trabalhos é um navio Titanic esculpido com sucata de metalúrgica. Com 0,95 metros de comprimento e 0,70 metros de altura, a obra promove um impacto de presença e mostra a transformação do que estaria no lixo em arte’’, reconhece Célio Rodrigues que trabalha exclusivamente com sucata. Ele também trouxe para a exposição um São Francisco em retalhos de latão com 1,40 metro de altura.
Entre as peças desenvolvidas pelos estilistas destacam-se vestidos feitos de fundos de latas de cerveja, saias produzidas com rótulos de refrigerantes, e tops confeccionados com chapinhas e tampas de lata. Os artistas plásticos transformaram papel reciclado em móbiles, sobras industriais de papel ondulado em cestos e tecido de papel em mantas.
O escultor curitibano Elvo Benito Damo mostra três bodes em madeira revestidos com latas de refrigerante. ‘‘A reciclagem dá um novo conceito de material alternativo usado na arte. Mas reconheço que esses programas ainda são pequenos no Brasil e devem ser repensados não só para o material de alumínio mas também para o lixo de copos descartáveis que não são reciclados de forma alguma e acabam misturados ao lixo comum’’, alerta.
O artista plástico Sérgio Monteiro de Almeida optou em montar uma instalação de 20 metros quadrados que, além de material reciclado, adverte para problemas sociais. ‘‘Usei 400 rosas feitas com embalagens de preservativos vencidos. O trabalho chama ‘Nunca lhe Prometi um Jardim de Rosas’ e dá a idéia de rosas brotando das pedras numa alusão à força de vontade, apesar das dificuldades.’’
A pasta de papel reciclado foi o material escolhido por José Antonio Lima. Um grande quadro de 2,00 metros por 1,5 metro mostra que ‘‘qualquer material é nobre e o artista deve usar as oportunidades para aguçar a consciência ecológica’’, diz.
Além da exposição no Memorial, o projeto Brahma Reciclarte, que tem como objetivo atrair a atenção do público para a importância do programa de reaproveitamento de materiais, estará envolvendo diversas ações espalhadas pela cidade: o lançamento do site da Recicloteca na Internet; as oficinas do Piá Ambiental e de brinquedos, no Parque Barigui - onde também será instalado em grande esquema de coletas de latas, com distribuição de brindes e sorteio de um carro no final do evento - as máquinas Lucky Can, nos supermercados; e a produção de 600 mil latas decoradas de Brahma Chopp com o selo do evento, que serão vendidas em Curitiba.
O público infantil ganhará atenção especial no Brahma Reciclarte, em espaços dedicados à Recicloteca e ao Programa Piá Ambiental. Apoiada pelo Projeto Brahma de Reciclagem desde 1993, a Recicloteca é uma biblioteca especializada em reciclagem, que funciona como um centro de informações e consultas sobre coleta de lixo, reaproveitamento de resíduos, preservação das fontes naturais de matéria-prima e outras questões ambientais.
Três totens multimídia estarão disponíveis para que o público ‘‘passeie’’ pelo site da Recicloteca - que será lançado no Brahma Reciclarte. Aproximadamente 500 escolas (municipais, estaduais e particulares) de Curitiba serão convidados para visitar a exposição. A idéia é mostrar para as crianças a importância da reciclagem e orientar os professores sobre o funcionamento do banco de dados da Recicloteca - para que eles possam fazer pesquisas e repassar o conhecimento em sala de aula.
Em todos os finais de semana - até 6 de dezembro - estarão sendo realizadas oficinas no Parque Barigui, das 9 às 17 horas. Nessas oficinas, as crianças e monitores das unidades que confeccionam artesanato, estarão ensinando a garotada a criar brinquedos do ‘‘lixo que não é lixo’’, fazer cestas de papel para revistas, tear, papel reciclado, flores com arame e meias de nylon, ikebanas, aprender a técnica de marmorização, criar máscaras de animais em extinção (com jornal), aproveitar a lã de carneiro e as latas de bebidas.

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