Arte em forma de quadrado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de junho de 1998
Chiara Papali 
Começa hoje, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, a exposição Limite, da artista plástica Tânia Tokairin. A exposição, que abre às 20h30, faz parte do projeto Sala Celso Garcia Cid, que até o final do ano traz mais cinco exposições de artistas plásticos.
É a primeira exposição individual da artista que já participou de várias mostras coletivas. Em Limite Tânia Tokairin traz 11 obras onde trabalha basicamente com o desenho. A maior preocupação da artista foi limitar a forma e as cores, por isso preto e branco são as únicas cores usadas e o quadrado a única forma encontrada.
Tânia utilizou para fazer seus desenhos diversos tipos de materiais, papel, madeira, lona, tela, duratex e até cartões. Reaproveitei materiais de trabalhos antigos que eu não gostava mais, diz a artista que há dois anos trabalha no que chama Série Limite. Eu chamo de série porque é como se fosse um ciclo, que começou e agora está se fechando, afirma Tânia.
Usando a técnica de ponta seca direto na lona, a artista consegue trabalhar com a textura. Eu descobri que isso daria um efeito interessante, explica. Os desenhos de Tânia ficam bem marcados, com inscrições, ou, segundo a artista, com cicatrizes.
A grande atração da exposição são os trabalhos chamados Camuflados. No total são três camuflados onde a artista utiliza técnicas diferentes: acrílica sobre tela, acrílica sobre duratex e colagem de cartões. Estes trabalhos se caracterizam por serem montagens de vários desenhos que acabam resultando em um só. No Camuflados sobre tela, que chega a ter 7,53 metros de extensão, é possível distinguir marcas de pincel de trabalhos anteriores. Chegando perto é possível distinguir texturas diferentes em cada parte do trabalho. O desenho quase se torna um objeto, de tão palpável, explica a artista.
No Camuflados de cartões, que tem quase 5 metros de largura, Tânia Tokairin reaproveitou exatamente 243 cartões ou convites que sobraram de uma exposição que fez em 92, formando uma verdadeira colcha de retalhos ou patchwork, segundo a artista. Os convites foram colados uns nos outros, pintados de preto e desenhados por cima. Mesmo assim, é possível distinguir algumas letras e nomes de pessoas, afirma Tânia.
Limite é o nome exato para a exposição de Tânia Tokairin. Segundo a artista, as formas e as cores foram usadas à exaustão. Eu queria ver até onde eu poderia ir, explica a artista que descobriu que quanto mais fazia, mais descobria as possibilidades da forma.


