Arte em flor
ARTE EM FLOR
Stephen Petronio mostra hoje no Filo Not Garden, cujos movimentos o corégrafo compara a uma flor: A gente sente o perfume e gosta
Elisa Marilia Carneiro
Uma imagem, um movimento, uma idéia, outro movimento. A sentença resulta em sensualidade e sexualidade. O espetáculo Not Garden (Não Jardim), do diretor e coreógrafo norte-americano Stephen Petronio, estréia hoje no Filo, em Londrina, com uma novidade: pela primeira vez não haverá intervalo.
Serão 90 minutos distribuídos entre três compositores. Começa com a Ave Maria de Gounod e Bach, cantada pela diva nova-iorquina Diamanda Galas; passa pelo eletrônico de David Linton e finaliza com a popular indiano-inglesa Shila Chandra. A partir de um único tom, desenvolve uma melodia. A influência da tradição indiana entra na dança com cítaras.
A estrutura do espetáculo, segundo Petronio, é a tradicional. Apresenta uma questão moral com a Ave Maria, percorre o Inferno de Dante e sai para a luz. A intenção é levar a platéia por uma viagem, da escuridão à luz, conta em entrevista exclusiva à Folha2.
Mesmo sendo um caminho tradicional, a forma como resolvi a questão é que não é muito comum. Criei uma resolução harmônica e dirigi os movimentos no sentido da eternidade. Essa inspiração, Stephen tira de imagens de TV, da rua, de músicas e mistura tudo numa só realidade.
O coreógrafo acredita que pode levar os desejos contemporâneos para a dança. Em Not Garden, Stephen optou por uma composição que defina o século XX. O resultado disso é bonito e provocativo. Os movimentos são expressões que falam. A platéia não identifica, mas sente. Stephen compara os movimentos a uma flor. A gente não sabe descrever a espécie, família, etc, mas sente o perfume e gosta.
No palco, oito bailarinos com diferentes formações. Alguns começaram muito cedo e vêm do clássico, outros já iniciaram pelo moderno, mais tarde. Entre eles há um engenheiro, que preferiu a carreira de bailarino.
O grupo está pela primeira vez em Londrina, mas já esteve por duas ocasiões em São Paulo e no Rio de Janeiro, participando do Carlton Dance Festival. A turnê, com Not Garden, esteve em Londres, Amsterdã, Helsinque, Viena, Alemanha, Canadá, Rússia, Nova York e na costa leste dos Estados Unidos.





