Arte em família
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A paixão pela arte pulsa no sangue de algumas famílias londrinenses. De tempos em tempos, elas decidem juntar os talentos da casa para mostrar seus trabalhos para um público maior do que aquele que divide o mesmo teto. Às vezes, a iniciativa surpreende amigos, conhecidos e até parentes.
Foi o que ocorreu essa semana quando a designer Betina Schnaid ligou para amigos convidando-os para a abertura de uma exposição com obras suas e de seu pai, o advogado David Schnaid. ''Muita gente ficou surpresa. Não sabiam que meu pai pintava'', conta ela. A exposição seria inaugurada ontem à noite na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira.
David, 87 anos, tem a pintura como um hobby. Desde criança, mexe com tinta e pincéis. De lá para cá, desenvolveu a técnica de pintura em pastel a óleo. ''O tempo é limitado. Pinto nas horas vagas, uma ou duas vezes por semana, e também durante períodos de repouso no litoral'', salienta. O advogado-artista mostrou pela primeira vez seus trabalhos há mais ou menos 15 anos (ele não soube precisar a data) numa modesta exposição num clube social da cidade.
Para a atual exposição, selecionou telas produzidas em vários períodos - a mais antiga é de 1987. ''São paisagens, recordações de minhas viagens pelo mundo. Há imagens de praias, da região dos Andes'', diz. Betina, por sua vez, apresenta quatro telas influenciadas por pintores como Matisse e Miró. Um dos quadros reproduz com cores fortes uma partida de futebol; outro um embarque de rodoviária. ''Minha proposta é retratar o movimento em linguagem gráfica'', assinala.
Como seu pai, ela só mostrou suas obras anteriormente uma única vez, durante uma coletiva de estudantes de arte realizada em 2004. Entre os planos da dupla, está montar outra exposição até o final desse ano na Casa de Cultura da UEL. ''A expectativa é que as pessoas visitem e critiquem de forma construtiva. Queremos nos submeter às opiniões'', avisam.
Outra exposição ''em família'' atualmente em cartaz está instalada no Tomate Seco Café Teatro juntando obras dos irmãos Airton Procópio dos Santos e Marli Mendonça. Airton é mais conhecido como Caximbo, apelido do fotógrafo que iniciou sua carreira trabalhando na Folha de Londrina, na década de 70.
Profissional de prestígio na cidade, ele reúne 20 fotos feitas nos últimos dois anos. ''O material destaca linhas e cores saturadas. Algumas imagens já foram usadas em propaganda, que é minha área de atuação. Outras foram registradas durante passeios e viagens por cidades como Recife e Olinda. Há ainda fotos de esportes como balonismo e esqui aquático, sempre com ênfase na simetria'', diz.
Sua última exposição foi em meados dos anos 80. ''Eu gostaria de me dedicar mais à arte da fotografia. Mas no dia a dia, a gente está sempre correndo atrás do leite das crianças e as fotos ficam engavetadas'', explica. Sua irmã e parceira de exposição, por sua vez, tem mostrado seus trabalhos com alguma frequência nos últimos anos.
Formada em arte e arquitetura, Marli apresenta desta vez uma série de objetos confeccionados com tocos de madeira, bijouterias e outros materiais recicláveis. Elas os chama de ''objetos parados não identificados (Opnis)'' em alusão aos objetos voadores não identificados (Ovnis). As peças remetem a instrumentos musicais e são montadas e fixadas no avesso das telas. ''São esculturas de paredes, que levam volume para os quadros'', explica. O espectador vai encontrar réplicas nada convencionais de violinos, gaitas de fole e xilofones.
SERVIÇO
- Exposição ''Davi Schnaid'', com obras de Davi e Betina Schnaid
Quando - Até o dia 15, de segunda a sexta-feira, das 9 às 20h
Onde - Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (Av. Higienópolis, 1.910)
Informações - Tel: (43) 3344-4987
- Exposição com fotos de Caximbo e esculturas de Marli Mendonça
Quando - Até o dia 31, de segunda a sábado, das 19h à meia-noite
Onde - Tomate Seco Café Teatro (Av. Maringá, 1730)
Informações - Tel: (43) 3025-7070


