Exposições de artistas londrinenses têm conseguido um público que chega a ultrapassar duas mil pessoas em um único mês. Localizadas em restaurantes, confeitarias, shoppings e até clínicas, essas mostras têm conquistado uma visibilidade jamais imaginada por museus e galerias de arte locais - e pelo simples fato de estarem em estabelecimentos comerciais de grande circulação de pessoas.
Para alguns, as obras podem até confundir-se com a decoração do local - com a diferença de que essa decoração é trocada, em média, uma vez por mês. Mas é inegável a divulgação conferida aos artistas. Aliás, grande parte deles não conseguiria expor suas obras caso esses espaços ''alternativos'' não existissem.
É o caso de Silvana Luizetto Carneiro, cujos trabalhos podem ser conferidos até o final do mês no Espaço Cultural do restaurante La Francine's. Formada em serviço social, ela nunca exerceu a profissão, mas sempre esteve ligada à arte, produzindo seus quadros e divulgando-os entre familiares e amigos.
''Comecei a expor há menos de dois anos, depois que começou a surgir esse tipo de espaço cultural. Se não fossem eles teria sido mais difícil. Expor nesses lugares foi a minha alavanca'', reconhece, acrescentando que a grande maioria dos quadros que comercializou até hoje foi resultado de mostras como essa. ''E o retorno é por muito tempo. Até hoje recebo ligações de gente que viu minha exposição há mais de um ano, e anotou o telefone'', comenta.
Porém, vale lembrar que a grande maioria do público não vai até o local com o objetivo de conferir a exposição. ''Os clientes que vêm aqui só para conferir a exposição não chegam a 5%, o forte mesmo são os clientes do restaurante. Mas o espaço está tendo uma boa aceitação'', atesta Dinho Missaka, proprietário do La Francine's.
Como muitas vezes as mostras são noticiadas pela mídia, os estabelecimentos que dispõem desses espaços conseguem uma divulgação espontânea e gratuita. Mudar constantemente o ambiente através dos quadros também é uma forma de os clientes contumazes encontrarem sempre novas ''decorações'', e os funcionários também agradecem. ''É gostoso, não fica na mesmice, cada mês tem quadros diferentes'', opina Yasmin El Kadre Brum, 19 anos, que trabalha no restaurante há um ano. Yasmin admite que até já tinha ido a uma exposição de arte em São Paulo, mas não em Londrina. ''As pessoas não procuram muito essas coisas. Quando tem, observam, mas não costumam ir atrás'', observa.
O estudante Gregory Hyus Lima de Oliveira, 15 anos, concorda. ''É diferente de um museu, que é mais aberto e é dedicado apenas às artes. Aqui, a pessoa pode admirar os quadros ou pode ver apenas como decoração'', complementa.
Mas, para quem se interessa, o espaço oferece a oportunidade de se conferir a mostra enquanto se realiza uma tarefa cotidiana, como almoçar ou aguardar a realização de um exame, por exemplo. ''É bem bacana, porque poucas pessoas vão até as galerias de arte. É uma forma de se popularizar a arte. Existe o risco de se banalizar as obras, mas esses espaços não deixam de ser uma forma de tornar a arte mais acessível'', analisa a bióloga Luciana Mendonça, 31 anos, que almoça no La Francine's praticamente todos os dias e aprecia as exposições mensais.
''A ideia central é divulgar a produção de artistas de Londrina e região. Mas esses espaços também contribuem para formar um público consumidor e admirador de arte'', destaca Yone Kotinda, curadora do La Francine's e do Espaço Cultural Ceddo. Ela revela que, em oito anos, o Ceddo já realizou 81 exposições, divulgando os trabalhos de aproximadamente 200 artistas. ''Hoje, bastante gente vem aqui só para conferir a exposição. E mesmo os funcionários, que antes não entendiam nada de arte, hoje já conseguem emitir opinião sobre as mostras'', ressalta. Segundo Yone, o espaço recebe, em média, 100 visitas diárias.

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