A arte é o elo entre a emoção e a expressão, e é nisso que consiste sua beleza. A sensualidade, embora por outros meios, também segue a mesma essência. Mas é difícil quem associe uma coisa à outra. São poucos os artistas que ousam explorar essas nuances do corpo, e muitas as pessoas que enxergam sensualidade, erotismo e vulgaridade como uma coisa só.
Talvez por isso, quem ousa explorar essa linguagem, como a fotógrafa Mara Tkotz, tem a exata medida dos limites da sensualidade. Mara despertou para o tema depois de assistir ao filme ''Mulheres do calendário'', em que senhoras com mais de 50 anos resolvem fazer um calendário sensual. Elegeu as fotos sensuais como tema de seu trabalho de conclusão de curso na pós-graduação em fotografia da UEL e não parou mais de trabalhar com isso.
Hoje, ela produz books fotográficos sensuais para mulheres, que fazem das fotos um presente para os maridos, noivos e namorados. ''Muitas me procuram um pouco deprimidas, sentindo-se distantes dos maridos, em uma tentativa de reconquista. O book ajuda a apimentar o casamento e aumenta a autoestima das mulheres'', afirma a fotógrafa, comentando que, nas sessões, muitas acabam entrando em contato com uma sensualidade que sequer imaginavam ter. ''Elas vão com receio. Se acham bonitas mas não sabem como vão ficar. Mas se encantam, porque não conheciam esse seu próprio lado. Isso as torna mais fortes, mais autoconfiantes'', observa.
Fincada no tripé formas, luzes e sombras, a câmera de Mara busca realçar pontos fortes e esconder imperfeições. ''Procuro extrair o que elas têm de mais bonito, mais sensual, sem cair na vulgaridade. Pergunto até onde querem ir, mas também restrinjo quando vejo que ela está ultrapassando o limite'', explica.
Para ela, o limite entre sensual, erótico e pornográfico é tênue, mas precisa ser respeitado. ''Sensual não é nada explícito. Pode aparecer um seio na foto sem ser erótico, conforme a posição e o enfoque que se dá. É possível também colocar a mulher totalmente nua, mas sem nada muito exposto, trabalhando com luz e sombra para deixar sensual e artístico'', explica. Se a cliente deseja algo mais erótico, Mara insere elementos, como uma longa bota de couro, uma cinta-liga. ''Mas sempre tomando cuidado para não cair no vulgar'', ressalta.
Depois de selecionadas, as fotos são embaladas em uma caixa, com chave, que as clientes de Mara entregam para maridos, noivos ou namorados.
Mas essa não é a única forma que a fotógrafa encontrou para explorar o corpo humano, em especial o feminino, com arte. Ela também pretende em breve realizar uma exposição com fotos em que obras de pintores famosos e grandes tatuagens são projetadas em corpos. ''Quero mostrar que um corpo nu nem sempre é visto de forma erótica, sensual. Pode ser uma tela, perder o vínculo da sensualidade em si, desvincular-se do próprio corpo humano, já que em muitas fotos você nem identifica uma parte do corpo ali'', explica.
Outra paixão de Mara são as fotografias aéreas. Embora pareçam tão distoantes de seu trabalho, na visão da fotógrafa há semelhanças sim entre esses trabalhos. ''Tento sempre ter essa mesma visão de corpo, com luz, sombras, curvas, texturas diferentes - que é o que você acha no corpo'', justifica, adiantando que está preparando para breve a exposição ''O homem do campo e suas máquinas'', somente de fotos aéreas.

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