Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Estudantes de arte de várias faculdades de Curitiba expõem seus trabalhos na Galeria de Arte do Inter Americano. Os seis jovens, em início de carreira, fazem da arte um veículo de expressão utilizando técnicas e temas variados. O conjunto é fortemente abstrato e reflete questionamentos diversos. A mostra inaugurou anteontem e permanece até o dia 23 de outubro.
Para Karen Tortato, do último ano de Artes Plásticas da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, essa é uma oportunidade para começar a mostrar seu trabalho. ‘‘Evoco o espírito da natureza, explorando a força das bailarinas flamencas. A tristeza do trabalho árduo explode em revolta da mesma forma que o ser humano explode em energia’’, explica.
Definindo-se uma pessoa crítica em relação à destruição da natureza pelo homem, Karen reconhece em seu trabalho uma renovação. ‘‘É como se tudo explodisse para mudar. Nas figuras das minhas gravuras o traço é o elemento mais forte de tudo. Não uso cores e os trabalhos têm conexão entre eles.’’
Trabalhando com sinalização publicitária, Ricardo Lima, do segundo ano da Faculdade de Artes do Paraná, usa sobras de material não reciclável para as suas esculturas e trabalhos de parede. ‘‘O tema é o da comunicação de massa, expressa individualmente’’, esclarece.
Camila Carpanezzi faz licenciatura na FAP. Nas telas em óleo, Camila tem como ponto de partida fotografias aéreas. ‘‘É o meio caminho entre a abstração e o reconhecido’’, argumenta. Ela define seu trabalho como intimista e provoca no observador uma confusão entre o real e o surreal.
Referindo-se à técnica escolhida, a artista plástica conta que primeiro faz uma camada muito escura para depois trabalhar as velaturas, obtendo como resultado transparências e limpeza. ‘‘Já vivemos num mundo poluído demais em todos os sentidos.’’
Formas geométricas seriadas compõem as esculturas em cerâmica de Glaucia Flugel, da Embap. A partir de moldes de gesso, as peças evidenciam as variações de ângulos e de sombras. ‘‘Dessa forma imprimo ritmo ao trabalho e provoco surpresa à medida que as pessoas andam ao redor da escultura.’’
Para trabalhar a efemeridade, Márcia Nagano, do curso de Educação Artística da Universidade Federal do Paraná, usa jornal e tinta acrílica. ‘‘Ao mesmo tempo que é efêmero, é metafórico. Tanto o jornal quanto o homem transformam vidas. A fragilidade dos dois coexiste na escritura coletiva e individual’’, conclui.
Por último, Milena Kovalczuk, da Embap, é a mais high-tech de todos nessa exposição. Com recursos de informática, ela faz a pré-matriz das gravuras em plotters. ‘‘Na verdade, é uma evolução da serigrafia. Não uso tinta, mas uma película adesiva, que é transferida para a chapa de cobre.’’
O tema explorado por Milena é a fotografia. Como numa desconstrução da imagem, transforma pontos em linhas para ler o claro e o escuro até a formação da imagem original.
Mais ou menos como uma ilusão de ótica, a distância faz com que a imagem fique ou bem definida ou perca-se no abstrato. O elemento que possibilita essa variação é a linha e sua espessura.
Exposição de alunos de faculdades de arte de Curitiba. De 7 a 23 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h às 20h30, na Galeria de Arte do Inter Americano, Rua Amintas de Barros, 99.Seis estudantes de arte reúnem-se para mostrar trabalhos que refletem novos posicionamentos artísticos
DivulgaçãoA estudante da Embap, Glaucia Flugel quebra a simetria das formas com variações de ângulos, cores e sombrasDivulgação‘‘Ser....humano’’ é o título da obra de Marcia Nagano em acrílica, pastel oleoso e jornal

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