Jackeline Seglin
Eles não têm muito a adiantar, a não ser que o espectador que assiste ao seu espetáculo precisa enxergar mais com a alma do que com a razão. O que os espanhóis do grupo La Zaranda - Teatro Inestable de Andalucía la Baja - trazem para o Festival Internacional de Londrina (Filo) é uma amostra de um trabalho de 20 anos que resultou numa estética particular. O espetáculo ‘‘Cuando La Vida Eterna se Acabe’’ será apresentado hoje, às 20 horas, no Núcleo I.
Partindo do texto de Eusebio Calonge - também responsável pela iluminação e sonoplastia -, o diretor Paco de La Zaranda antecipa que falar desta montagem é o mesmo que falar de todas as outras peças do grupo. ‘‘Cada uma representa uma época concreta da nossa vida’’, relata.
‘‘Quando começamos a trabalhar, em 1978, dizíamos querer fazer um teatro que, de alguma maneira, expressasse o que somos e o que sentimos’’, detalha. Segundo conta o diretor, cada trabalho tornou-se, então, um pedacinho desse sentimento.
O La Zaranda realiza um laboratório de investigação através de contrastes teatrais (o compromisso existencial e a fidelidade a suas raízes tradicionais), recursos dramáticos (o uso simbólico dos objetos, o expressionismo visual, a depuração de textos e a criação de personagens e situações limites) e do método de trabalho que é um processo de criação coletiva. ‘‘O teatro é um veículo que nos leva a sermos nós mesmos. É uma maneira de nos conhecermos’’, diz Paco.
Segundo Eusebio Calonge, o espetáculo que será mostrado em Londrina não tem a intenção de contar uma história. É a evocação da memória e um convite à reflexão. Idéias sobre os sonhos de um tempo que se pensou eterno. ‘‘São fragmentos de vida, através dos quais podemos entrar para uma história’’, diz.
Nesta montagem - que se passa numa ruidosa hospedaria -, palavras, músicas e imagens se completam, numa poética que é a expressão do próprio trabalho do grupo. O restante é por conta do público, que participa do espetáculo e ‘‘contracena’’ com os quatro atores. ‘‘Nós temos o elemento do sonho. O espectador cria a história’’, revela Calonge.
Paco de La Zaranda e Eusebio Calonge contam que há muito tempo gostariam de vir a Londrina para o festival, mas a agenda concorrida do grupo não permitia. ‘‘Estamos ansiosos para descobrir essa platéia. E somente no espetáculo saberemos o que é o Filo.’’
‘‘Cuando La Vida Eterna se Acabe’’, com o grupo La Zaranda, da Espanha. Hoje, amanhã e quinta-feira, às 20 horas, no Núcleo I (Rua Quintino Bocaiúva, 1.243). Texto: Eusebio Calonge. Direção: Paco de La Zaranda.

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