Francelino França
De Londrina
Os primeiros trabalhos da artista plástica Yoshiya Nakagawara Ferreira Salles surgiram em meados de 1979. Desde esse período, sua produção permaneceu ininterrupta e variada. Em comemoração a essa data significativa, a partir de hoje, ela abre uma retrospectiva composta de 25 telas, denominada ‘‘Dos anos 20 a 2.000 – Memória em Cores’’. Sua última exposição individual foi há 7 anos.
Yoshiya retratou por intermédio das cores a história de Londrina. As cores possuem tamanha generosidade na região norte do Paraná que chegou a nominá-la: terra-roxa. Nessa exposição, vê-se a valorização do trabalho ligado à terra, como também questionamentos de suas observações da sociedade na qual interage. São obras criadas ao longo de 20 anos, em que predominam as cores com movimento.
A mata dos primeiros anos de colonização, os anos de ouro do café, o flagelo das geadas, o trabalho dos imigrantes e o crescimento da cidade são temas presentes e imperativos na obra da artista plástica. Sempre propostas ligadas à terra. O trabalho de Yoshiya se traduz como geografia das cores. Em sua definição, suas telas são abstratas mas com forte teor de sentimento.
Durante esses 20 anos, várias fases surgiram, distintas facetas da mesma Yoshiya foram compostas. No princípio, as figuras humanas daqueles que a cercavam ressurgiam em formas de imagens. Numa segunda e decisiva fase, as cores foram eliminando as pessoas, inundaram definitivamente seus quadros. A artista também flertou com a pintura sacra.
A repressão vivida pela professora na Universidade Estadual de Londrina, no final dos anos 70, somado ao estímulo do arquiteto Sérgio Bopp foram determinantes para impulsionar a entrada da geógrafa para o mundo das artes plásticas. A confluência entre ciência e arte pode ser a síntese de seu método de trabalho, pois como geógrafa, o processo de elaboração científica é demorado. Como artista plástica seu processo de criação é lento, pontuado de muita observação.
Num dos trabalhos presentes na mostra, Yoshiya deu ênfase ao vermelho, numa incansável pesquisa em busca da matiz ideal. Nessa obra, folhas secas de café dão formas ao vermelho. Além das telas, uma única peça figura como ‘‘bendito ao fruto’’, chamada ‘‘Florada do Caf钒, composta com objetos em resina.
‘‘Dos anos 20 a 2.000 – Memória em Cores’’, exposição de artes plásticas de Yoshyia Nakagawara Salles Ferreira. Hoje, a partir das 21 horas, na Rua Belo Horizonte, 110. Londrina – PR. A exposição permanecerá aberta até 31 de janeiro de 2.000, das 15 ás 21 horas.Yoshiya Nakagawara abre hoje em Londrina exposição que resgata a história da cidade
Mario CesarYoshiya Nakagawara e uma de suas telas: textura e cores que remetem à terra-roxa‘‘Florada do Caf钒, objetos em resina: instalação de Yoshiya Nagakawara também em exposição

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