ARTE E DECORAÇÃO - Tapetes das 'Mil e Uma Noites'
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de março de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Quem conseguiria resistir à delícia de possuir um tapete mágico que o levasse até onde o seu desejo e imaginação quisessem ir? Há muito este objeto de sonho tem encantado o nosso imaginário. A maior culpada talvez seja Sherazade que nos fascinou com os contos que ficaram imortalizados no livro ''As Mil e Uma Noites'', nos deliciando com a história de ''Aladim e a Lâmpada Maravilhosa'', onde o tapete mágico é um elemento da narrativa e transporta o personagem principal por diversos lugares. Na literatura infantil, essa temática é bastante comum e, no cinema, o filme ''Aladdin'', da Disney, lançado em 1992, emocionou milhares de crianças e adultos com a história de amor impossível entre o menino pobre que se apaixona pela princesa Jasmim. Cheio de aventuras, uma das cenas mais emocionantes do filme é quando o personagem principal é salvo da morte durante desmoronamento da caverna onde estava escondido junto com o macaco Abu, seu mascote. Como não poderia deixar de ser, é um tapete mágico que realiza a proeza.
Durante o mês de março, os admiradores dos tapetes orientais poderão ficar mais perto dos seus sonhos, tendo à disposição para compra cerca de 200 peças para Sherazade nenhuma botar defeito. É que a Galeria Bahiarte, há 30 anos no mercado de Londrina, colocou à venda tapetes de vários tipos, expostos num ambiente que leva os visitantes e compradores a entrar no clima dos mercados árabes. Mas antes de entrar no clima, é bom que se conheça um pouco da história dessas peças que estão entre as mais cobiçadas pelos colecionadores ou simples mortais que curtem decoração.
Os povos orientais sempre foram associados como os mais talentosos na arte de produzir tapetes, embora, na atualidade, as tapeçarias belgas sejam as que têm mais prestígio. A tecelagem existe desde a Pré-História: há esculturas e afrescos dessa época com representações de tecidos que mais parecem tapeçarias que bordados. As mais antigas tapeçarias foram descobertas no túmulo de Tutmés IV (1420 - 1411 a.C., Museu do Cairo); uma das peças tem o anel de Tutmés III, outra tem uma tabuleta com o nome de Amenotep II e a terceira hieróglifos. O fundo é em tecido e os motivos em tapeçaria nas cores vermelho, amarelo, azul, verde e marrom. No túmulo de Tutancamon também foi encontrado um manto com tapeçarias (1350 a.C.).
A arte da tecelagem de tapetes, originada provavelmente na Pérsia (atual Irã), foi difundida posteriormente pela Ásia Central, Cáucaso e Anatólia (região da Turquia, Ásia Menor). As principais fibras têxteis usadas na tapeçaria são a lã, o linho, a seda e o cânhamo. O fio de lã, de carneiro ou camelo, é o mais comumente empregado na tecelagem de tapetes, embora também sejam utilizados fios de seda e até de prata e ouro.
No tear, trabalha-se geralmente a partir de um desenho colorido e em tamanaho natural. A partir do final do século 14, uma tradição contínua já pôde ser observada na Europa, com importantes manufaturas em Paris e nos territórios da Borgonha; a partir de então, as tapeçarias passaram a constituir um elemento essencial na decoração medieval de interiores. Sua popularidade foi mantida até o século 18, quando começaram a dar lugar a revestimentos mais baratos, como o papel de parede. Entre os tapetes orientais, famosos por sua beleza, qualidade e padrões de cores e ornamentos, destacam-se os iranianos (persas), afegãos e armênios: todos são artesanais e levam meses para serem confeccionados. Na Europa, predomina a tradição francesa, com manufaturas muito conhecidas em Arras, Aubusson, Beauvais e Paris (famosa pelos modelos ''Gobelins'').
A marchande Ana Barreto, da Galeria Bahiarte, explica que os nomes dos tapetes referem-se à cidade ou região em que são produzidos. Os modelos se diferenciam pelos desenhos, cores e quantidade de nós alguns tapetes extra-finos chegam a ter mil pontos, minúsculos, por cm2. Quanto maior a quantidade de nós, mais valioso se torna o tapete. ''Os tapetes persas têm importância cultural e também, quando bem cuidados, alcançam grande durabilidade'', comenta Ana.''O tapete persa é um elemento clássico de decoração. Tem acabamentos nobres e suntuosos. É uma obra de arte que não cai de moda'', acrescenta.
Segundo ela, a manutenção adequada dos tapetes é simples. O uso de aspirador de pó não é recomendado, pois a frequência de uso pode desmanchar os nós. O ideal é usar vassouras de palhas (as comuns, vendidas em feiras). Para limpar manchas, a recomendação é diluir um litro de vinagre branco em mesma quantidade de água. Deve-se passar a solução com esponja ou pano úmido; posteriormente, passar pano seco e deixar secar naturalmente, mas nunca exposto ao sol.
O tapete persa exige conhecimento específico para o reconhecimento da sua originalidade. Uma dica é a maleabilidade. ''O original é muito maleável, pois é um trabalho artesanal; o falso, feito à maquina, não tem maleabilidade; é duro na hora de enrolar'', explica Ana.
Na galeria, em Londrina, há tapetes a partir de R$ 20,00. Os mais caros, que em média custam de US$ 180 a US$ 200 o metro, estão sendo vendidos a US$ 110 o metro (R$ 330,00/metro). Os tapetes estão expostos na parte externa da loja, lembrando os mercados persas. É possível comprar tapetes de vários tipos: Bactiar, Kilin, Gabeh, Shiraz, Hamadan, Tabriz Royal e Kirman, entre outros. Todos têm descontos de 20% para pagamento em até três vezes ou 25%, à vista.
Mesmo que não for para comprar, vale a pena visitar a exposição. A tapeçaria é arte de primeira grandeza.
Serviço:
- Galeria Bahiarte (Rua Espírito Santo, 1701) Telefones: (43) 3324-4707 e 3324-7759. De segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, aos sábados, das 8 às 13 horas.


