O famoso filósofo grego, Pitágoras, que viveu no século V a.C., ganhou uma nova versão para as suas descobertas. Com muita música, bom-humor e alegria, as peripécias do filósofo foram apresentadas aos alunos da cidade na última segunda-feira, no Ginásio de Esportes Moringão. A montagem ''O Monocórdio de Pitágoras'' é da Cia Fábula de Fíbula da Cooperativa Paulista de Teatro, que ressalta no seu trabalho a interrelação entre a arte e a ciência e fez parte da 1 Semana Nacional de Ciência e Tecnologia realizada de 18 a 24 de outubro. O texto inédito, escrito e interpretado por Pedro Paulo Salles, foi escrito especialmente para o Núcleo de Artes Cênicas da Estação Ciência. A direção é de Cauê Matos, com cenografia de Monica Nassif.
Em ritmo de cordel, Severino, o contador das histórias, está sempre acompanhado da sua viola Pafúncia e fazem uma parceria cheia de graça e harmonia. Com acordes afinados, o professor de música Pedro Paulo dá vida ao personagem nordestino e com muita didática explora os caminhos da música. Severino, aliás, é o primeiro nome de um famoso filósofo romano, Boécio, um dos principais narradores das experiências e idéias de Pitágoras.
E é com grande emoção que Severino conta aos alunos-ouvintes que foi Pitágoras quem descobriu as notas musicais. Valorizando a importância da experimentação, Severino conta a história do instrumento de uma corda só chamado monocórdio, que é uma caixa de madeira com uma corda fixa pelas duas extremidades construído por Pitágoras com finalidades científicas. Segurando a corda ao meio, Pitágoras descobriu que o som modificava e assim foi fracionando a corda com a ajuda de um pequeno cavalete e percebendo os sons que eram formados. Na prática, quase que uma aula de matemática e música.
Admirado com a descoberta, Pitágoras tentou transportar a experiências para vasos de vidro. Acreditava que fracionando a quantidade de água nos frascos, obteria as mesmas notas que o monocórdio. Não deu certo, mas ainda assim fez outra descoberta: percebeu que a quantidade de líquido influenciava na tonalidade do som ao se passar o dedo sobre a borda do vidro. Na apresentação, os alunos também tiveram a oportunidade de ver na prática como isso funciona e se divertiram ao subir no palco para tocar a orquestra de vidros com líquidos coloridos.
Severino também contou, entre uma música e outra, que Pitágoras não parou por aí. Experimentou a sua descoberta ''monocórdica'' em vários outros instrumentos como uns tubos, parecidos com flautas, em que tanbém checou, e confirmou, a percepção das notas musicais com o fracionamento dos furos. Com instrumentos atualizados, como o berimbau, que também tem só uma corda, e o marimbau, que também é monocórdico e se toca apoiado em uma base horizontal, Severino mostrou as diversas potencialidades do som. Até um rock saiu dessa brincadeira filosófica-musical.
''O objetivo do espetáculo é despertar no aluno a vontade de saber mais e mostrar ao professor que vale a pena pensar em uma forma mais criativa e artística de ensinar'', afirmou Pedro Paulo Salles.
''Na minha escola, já trabalhamos com o Pitágoras, que é base de muitos conhecimentos. Conhecia os livros do Pedro Paulo e gostei muito do espetáculo. Deixo o pedido para que ele volte à cidade para que mais pessoas possam assisti-lo'', comentou a professora de música Maria Kyoko Arai.
A aluna Luana Priscila de Pontes, 13 anos, aluna da oitava séria, também aprovou a iniciativa. ''Foi uma maneira divertida de aprender e aprendi muito'', comentou.

Serviço:
- O espetáculo ''O Monocórdio de Pitágoras'', apresentado na segunda-feira, foi realizado pelas seguintes instituições: Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina e Cursos de Pós-graduação lato sensu da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Patrocínio: Folha de Londrina, Cedro Hotel, Brasiliano Bar & Cozinha, Rancho Grill, Retrovisa, Itedes e Vitae.

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