Arte duplicada
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de março de 2002
Francelino França<br>Reportagem Local 
Os homens inventaram máscaras para apresentar os deuses em ação. De imediato, um portador de máscara se transformava num ser divino. Também tentavam negociar com as forças da natureza sua fragilidade e faziam representando ídolos e fetiches. Assim, o teatro manteve uma ligação com o ritual e o sagrado. Pode-se identificar as máscaras como peças de arte, uma forma especial de manifestação artística. A história dos bonecos, por sua vez, é similar a das máscaras.
Esse encontro entre ator e seu duplo (máscara ou boneco) foi o ponto de partida para a escritora e diretora Ana Maria Amaral empreender uma pesquisa ressaltando o trabalho do ator em geral e do ator que manipula máscaras, bonecos e objetos. Ana Maria Amaral aborda os aspectos técnicos da interpretação teatral, salientando o trabalho interior do ator e sua concentração (psíquica e fisiológica).
Para os não iniciados em artes cênicas, os duplos são estátuas, figuras de cera, bonecos, manequins, máscaras, sombras, transparências e tudo aquilo que o homem utiliza como simulacro. A obra relata experiências obtidas em oficinas e workshops e reúne material ilustrativo das várias modalidades de bonecos e manipulação.
Como ressalta Fernando Peixoto, ator e diretor teatral, a obra mostra inúmeras possibilidades de mergulhar num processo criativo que escapa às linguagens mais tradicionais. A autora rompe o limite das máscaras e bonecos e aborda também sobre montagem, direção, dramaturgia e improvisações. A diretora produziu Palomares, uma das primeiras montagens com bonecos para adultos no Brasil.
Serviço
O Ator e Seus Duplos, de Ana Maria Amaral, Editora Senac São Paulo/Edusp, 159 páginas. Preço: R$ 25,00.


