Os homens inventaram máscaras para apresentar os deuses em ação. De imediato, um portador de máscara se transformava num ser divino. Também tentavam negociar com as forças da natureza sua fragilidade e faziam representando ídolos e fetiches. Assim, o teatro manteve uma ligação com o ritual e o sagrado. Pode-se identificar as máscaras como peças de arte, uma forma especial de manifestação artística. A história dos bonecos, por sua vez, é similar a das máscaras.
Esse encontro entre ator e seu duplo (máscara ou boneco) foi o ponto de partida para a escritora e diretora Ana Maria Amaral empreender uma pesquisa ressaltando o trabalho do ator em geral e do ator que manipula máscaras, bonecos e objetos. Ana Maria Amaral aborda os aspectos técnicos da interpretação teatral, salientando o trabalho interior do ator e sua concentração (psíquica e fisiológica).
Para os não iniciados em artes cênicas, os duplos são estátuas, figuras de cera, bonecos, manequins, máscaras, sombras, transparências e tudo aquilo que o homem utiliza como simulacro. A obra relata experiências obtidas em oficinas e workshops e reúne material ilustrativo das várias modalidades de bonecos e manipulação.
Como ressalta Fernando Peixoto, ator e diretor teatral, a obra mostra inúmeras possibilidades de mergulhar num processo criativo que escapa às linguagens mais tradicionais. A autora rompe o limite das máscaras e bonecos e aborda também sobre montagem, direção, dramaturgia e improvisações. A diretora produziu ‘‘Palomares’’, uma das primeiras montagens com bonecos para adultos no Brasil.
Serviço
‘‘O Ator e Seus Duplos’’, de Ana Maria Amaral, Editora Senac São Paulo/Edusp, 159 páginas. Preço: R$ 25,00.

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