São Paulo, 24 (AE) - Para descobrir talentos e realizar avaliação mais precisa da jovem produção artística do Estado de São Paulo, a Galeria Thomas Cohn lançou em 98 o concurso Portas Abertas. A resposta dos artistas surpreendeu e os sócios da galeria tiveram de debruçar-se sobre 468 portfólios em busca de trabalhos que coincidissem com seu perfil. Thomas e Myriam Cohn e Oscar Cruz chegaram a seis finalistas - dois deles empatados em primeiro lugar -, cujos trabalhos podem ser vistos a partir de amanhã (25).
As obras de Rodrigo Cunha, Carmem Alves, Fábio Faria, Eduardo Srur, Regina Sposatti e Marcelo Zocchio compõem um panorama diversificado, que vai da pintura figurativa até o provocativo "Cérebro de Barbie", que Regina fez com chicletes mastigados. Destacam-se na exposição os trabalhos de Cunha e de Carmem Alves, justificando suas escolhas para o primeiro lugar, que terão exposição individual ainda este ano.
Curiosamente, seus trabalhos estão em extremidades diferentes. Enquanto Carmen se dedica ao desenho suave e intimista, que remete ao universo de Leonilson ou aos labirintos de toque surrealista construídos por Sandra Cinto (que foi sua professora), Cunha pinta a si mesmo em enormes telas, que chegam a 5 m de altura, com forte impacto visual e precisão técnica impressionante.
A maioria dos selecionados nasceu entre 74 e 76. Há entre os finalistas o predomínio da linguagem bidimensional e forte repertório figurativo. Em 96, a Thomas Cohn - que ainda não estava instalada em São Paulo - realizou uma primeira edição do concurso Portas Abertas no eixo Rio-Niterói e o vencedor foi Walter Goldfarb. Segundo os galeristas, hoje ele é um artista reconhecido pela crítica e pelo mercado.
Como uma espécie de continuidade à exposição dos finalistas no térreo da casa, os galeristas resolveram ocupar o mezzanino com a obra provocativa de Mara, artista ainda pouco conhecida que realiza sua terceira mostra individual. Apresentada como descoberta de Nelson Leirner, Mara desenvolve trabalho com forte carga erótica, contrapondo a delicadeza do bordado e a suavidade da cera à crueza das cenas ou órgãos que retrata. (M.H.)

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