São Paulo, 21 (AE) - O módulo Arte Barroca da Mostra do Redescobrimento apresentará a correlação entre o projeto colonial de dominação e a atuação da Igreja, traçando um paralelo "entre a fé e a conquista". Isso será mostrado, segundo a curadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da exploração das potencialidades da escultura religiosa, um dos aspectos mais originais e significativos da arte brasileira daquele período, produzidas por oficinas e utilizadas como veículo de propaganda da fé católica, e entre cujos autores se destacam nomes como Manuel Inácio da Costa e o Aleijadinho.
A mostra parte do princípio de que a identificação do povo brasileiro com as imagens religiosas é um dos traços marcantes da nossa cultura. Assim, trará representações visuais da Virgem Maria (como uma Nossa Senhora do Rosário do século 18, de autoria de Mestre de Sergipe), oratórios (como o Oratório Rococó do Museu do Ouro de Belo Horizonte) e diversas obras do maior artista do barroco, Aleijadinho, como o "Cristo da Ressurreição e o "São João Evangelista".
O módulo Arte Barroca foi o que suscitou a maior polêmica até agora, o que reduziu um pouco o interesse em torno da exposição como um todo. O motivo foi a recusa do colecionador Renato de Almeida Whitaker de emprestar duas obras de seu acervo de 36 esculturas supostamente atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, para a mostra. Whitaker preferiu organizar uma exposição individual, com 24 obras, no caro e elitista restaurante Antiquarius, nos Jardins.
A principal justificativa de Whitaker para a recusa é sua discordância com pela curadora da mostra, Myriam de Oliveira
. Ele queria mais obras de Aleijadinho na exposição. "O artista exponencial do barroco é o Aleijadinho, que já foi comparado a Michelangelo por Germain Bazin, ex-curador do Louvre."
"Não acho que ela seja inepta para fazer a curadoria do barroco, mas já deu mostras de que não entende de Aleijadinho", disse o engenheiro. "Se a curadora fosse a Ligia Martins Costa, eu cederia", afirmou. Ele afirmou que a curadora já avaliou equivocadamente obras de Aleijadinho, até mesmo contestando autorias e minimizando a presença do artista na mostra.
A curadora do módulo Arte Barroca da Bienal Brasil 500 Anos apresentou outra versão para o caso. Segundo Myriam, Whitaker ainda tem muitas obras que precisam da análise de um expertise para que seja comprovada a autoria. "Ele pode ter ficado zangado", disse Myriam. A curadora afirmou não teve tempo nem sequer de ver a coleção de Whitaker. "Não tratei tanto com os colecionadores particulares, mas com os museus."

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