Arte densa
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de abril de 2015
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Maria Luísa Mendonça costuma ser bem criteriosa com seus trabalhos na televisão. Além da complexidade da história e da personagem, conta muito para a atriz a equipe envolvida no projeto. Seguindo por essa linha, Maria Luísa nem precisou pensar tanto para acertar sua participação em "Amorteamo", série que estreia no dia 9 de maio, na Globo, e contará com cinco episódios. "É um projeto mais curto, recheado de ousadia e muito bem feito. Histórias que flertam com o mistério e o terror não são tão comuns na tevê. É uma proposta diferente e com muita brasilidade", valoriza.
Escrita por Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno, a produção é ambientada em Recife, no início do século XX. A partir do suicídio e posterior ressurreição da protagonista, Malvina, de Marina Ruy Barbosa, todos os mortos da cidade levantam de suas covas. Neste contexto, Maria Luísa é Dora, dona do bordel da cidade, cenário que concentra as paixões e os dissabores de boa parte dos personagens. "A história é muito passional e cheia de reviravoltas. Todos os vivos da cidade têm contas a resolver com os falecidos", antecipa.
A série começou a ser desenvolvida no final de fevereiro e os trabalhos devem se estender até próximo da exibição dos últimos episódios. Tudo por conta da suntuosidade do projeto. Ao chegar no "set", Maria Luísa logo ficou impressionada com cenários, figurinos, objetos de cena e caracterização que emolduram a produção. "Existe uma forte influência do cinema na série. A estética rica e exótica só valoriza o tom mais soturno que envolve as sequências", analisa.
Para a atriz, a parte mais importante do processo de composição foi justamente provar as roupas e acessórios pensados para Dora. Entre uma troca de espartilhos e ajuste das perucas, ela conseguiu captar o que funcionaria na personagem. "Ela usa uma peruca vermelha maravilhosa, roupas que marcam o corpo. É uma mulher forte, que tenta lidar com suas mágoas", conceitua.
Lembrada por sua íntima relação com o cinema nacional, aos 45 anos, a atriz carioca acredita que, mesmo não estando toda hora na televisão, conseguiu estabelecer uma relação frutífera com o veículo. "Eu gosto de diversificar e estou sempre disponível para bons projetos. A tevê é muito importante para mim. Foi onde aprendi a ser uma atriz mais versátil e sempre pronta para entrar em cena. Isso me deu maturidade como intérprete", destaca.
A estreia de Maria Luísa na tevê foi na clássica "Renascer", de 1993, onde se destacou ao dar vida à hermafrodita Buba. A partir do êxito inicial, outros convites para novelas surgiram. Ela também esteve em tramas como "Corpo Dourado", "Senhora do Destino" e na recente "Além do Horizonte". Mas, em 22 anos de televisão, foi nas séries que Maria Luísa se encontrou artisticamente. Dentre títulos elogiados como "A Muralha" e "Queridos Amigos", a atriz destaca o rigor estilístico de "Os Maias" como um momento marcante de sua trajetória no vídeo. "Defendo todos os meus trabalho. Mas, algumas vezes, a televisão consegue ir além do puro entretenimento. 'Os Maias' teve essa 'pegada'" elogia a atriz.
Na busca por essa maior liberdade artística, Maria Luísa decidiu sair do elenco fixo da Globo em 2005. Foi a forma de conquistar a autonomia de fazer os filmes e peças que queria, além de trabalhar em outras emissoras. Na última década, apresentou duas temporadas do programa "Revista do Cinema Brasileiro", da TV Brasil, e atuou na série "Mandrake", da HBO. No final de maio, a atriz reaparece na tela da HBO como a dona de casa Isabel, em "Magnífica 70", nova produção original da emissora. "Ainda não posso falar muito sobre esse projeto. Mas é um trabalho que respeita a excelência da HBO quando o assunto é série", valoriza.


