Com apenas 3 anos, o Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) já conquistou um papel de destaque no circuito artístico de São Paulo e promete reforçá-lo ainda mais com várias atrações diversificadas este ano. A programação terá início no próximo dia 14, com a abertura da mostra de instalações de Yoko Ono. É quase certo que ela compareça à vernissage.
A viúva de John Lennon era artista plástica bem antes de conhecê-lo e apresenta agora em São Paulo - depois de já ter exposto em Brasília - uma série de instalações nas quais trata de temas politicamente corretos como o desflorestamento e a liberdade de expressão artística. Além de estar adequado ao objetivo do museu de enfocar as várias vanguardas de arte contemporânea, Yoko ainda consegue ampliar o raio de alcance da mostra para um público não usual (afinal, um fã dos Beatles pode cair na tentação de ver o trabalho de Yoko, mesmo que seja daqueles que a consideram culpada pela separação dos rapazes de Liverpool).
No entanto, certamente a grande exposição do museu será aquela dedicada à escultura do mestre catalão Joan Miró, prevista para outubro. Com curadoria do coordenador cultural do MuBE, Fábio Magalhães, e do diretor da Fundação Maeght, Jean-Louis Prat, a mostra foi concebida especialmente para o Brasil e demorou três anos para ser concretizada.
ReproduçãoDepois de expor em Brasília, Yoko Ono abre mostra de instalações a São Paulo no dia 14São 70 obras (47 esculturas e 23 desenhos), produzidas por Miró a partir de 1960, que mostram a coerência entre as várias formas de expressão adotadas pelo artista. Pintando, esculpindo ou desenhando, Miró demonstra a mesma explosão criativa, rica e bem-humorada que fez com que o escritor Octavio Paz o chamasse de ‘‘um menino de 5 mil anos de idade’’.
Essa exposição dá continuidade às mostras realizadas sob medida pelo MuBE para investigar a produção tridimensional de grandes artistas da modernidade. As obras de Max Ernst e Giorgio De Chirico já renderam belas exposições e o grande projeto de Magalhães é encerrar o ciclo com uma mostra da arte escultórica de Pablo Picasso, talvez ainda no ano 2000.
Outro grande escultor que terá espaço em 99 na programação do MuBE é o francês César Baldaccini, fundador do Nouveau Réalisme ao lado de Pierre Restany e Yves Klein, que se notabilizou pelos gigantescos trabalhos feitos com dejetos industriais prensados, como carcaças de automóveis.
Baldaccini, que havia prometido vir ao Brasil para inaugurar sua retrospectiva - organizada pelo curador do Jeu de Paume, Daniel Abadie - morreu no início do mês, aos 77 anos. O autor da famosa estatueta César, com a qual são premiados os destaques da indústria cinematográfica francesa, também havia prometido fazer uma escultura in loco, que seria doada ao MuBE.
Não só europeus consagrados estarão na programação do MuBE em 99. O museu está abrindo cada vez mais espaço aos artistas contemporâneos brasileiros e vai realizar mostras de Renata Padovan, Carlito Carvalhosa, Laurita Salles, Britto Velho e Sérvulo Esmeraldo. Parte dessas exposições ocorrerá na área externa do museu, até recentemente pouco aproveitada, conta a curadora do museu, Inês Raphaelian.
Outra iniciativa interessante que está sendo desenvolvida pelo MuBE é o intercâmbio internacional. No mês que vem chega à cidade um jovem escultor italiano, Massimo Sansavini. Ele trabalhará durante seis meses em ateliês de seus colegas paulistanos e exibirá o resultado de suas investigações brasileiras em agosto. No segundo semestre será a vez de um brasileiro ir à Itália. O nome do artista, que será indicado pela equipe que coordena as atividades do MuBE, ainda não foi definido.ReproduçãoJoan Miró: uma das expressões máximas da arte do século XX, terá mostra no MuBE, em São PauloAgência Estado

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