As artistas Fernanda Magalhães, de Londrina, e Carina Weidle, de Curitiba, foram as duas únicas paranaenses selecionadas para participar da 27 edição do Panorama da Arte Brasileira, uma das exposições mais importantes na área de artes plásticas do País. Vinte e sete artistas vão mostrar seus trabalhos na exposição itinerante que terá início no dia 26 de outubro, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, e depois seguirá para outras capitais brasileiras, como Salvador e Rio de Janeiro.
Criado em 1969 pelo MAM/SP, o Panorama é realizado desde 1995 em edições bienais. Este ano, o diretor do museu, Ivo Mesquita, convidou os curadores Paulo Reis (PR), Ricardo Basbaum (RJ) e Ricardo Resende (SP) para viajar pelo País e entrar em contato com a produção de vários artistas brasileiros. Uma das orientações para esta edição do Panorama, de acordo com Paulo Reis, foi perceber outras poéticas visuais que não tem ainda uma visibilidade nacional, outros meios de produção artística fora do sistema tradicional das galerias e museus e alguns espaços independentes de exibição e reflexão de arte.
A fotógrafa e artista plástica Fernanda Magalhães participa do evento com um trabalho inédito ainda em desenvolvimento que é uma sequência da pesquisa iniciada no projeto ''A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia'', de 1993. Trata-se de uma série criada a partir de uma foto de Fernanda Magalhães feita pelo fotógrafo Álvaro Diaz em Florianópolis, entre 1999 e 2000.
No ano passado, esse trabalho foi selecionado para o 7º Salão de Arte da Bahia. Uma das curadoras da mostra, Daniela Bousso, explicitou em um texto sobre a obra o que Fernanda Magalhães identificou de imediato. ''A curadora escreveu um texto preconceituoso sobre o trabalho, dizendo que tudo era artifício nas fotos, desde a construção do fundo, os tecidos baratos que compõem a roupa da modelo, a própria modelo que por si só já nos transporta a uma dimensão em que o ridículo e o piegas parecem ser protagonistas''.
Ela lembra que, no início, se incomodou com a opinião da curadora. ''Mas depois achei bacana. O preconceito ficou claro e isso foi ótimo. Caiu como luva na discussão política do meu trabalho'', diz. A artista observa que, por ser uma postura política, o trabalho acabou transformando-a enquanto pessoa e propiciando uma postura diferente em relação ao seu próprio corpo.
Foi exatamente o questionamento sobre a estética da mulher gorda que instigou Fernanda Magalhães a dar prosseguimento a sua pesquisa. A instalação que ela levará ao Panorama da Arte Brasileira vai apresentar outras montagens com recortes e segmentos das fotos de Álvaro Diaz, integradas ao texto de Daniela Bousso, textos de uma lista de discussões da Internet sobre preconceito e um áudio com depoimentos de mulheres gordas. ''Questiono a representação da mulher gorda e vou botar em discussão tudo isso''.
Fernanda Magalhães acredita que o que mais chamou a atenção dos curadores foi justamente a abordagem política de sua pesquisa. ''Paulo Reis, que já tinha visto meu trabalho, indicou meu nome e a curadoria me convidou para expor em Curitiba no dia 8 de julho, quando mostrei meu projeto'', conta. ''O aspecto político incorporado no trabalho em si é o que ressalta o projeto. O trabalho deixa de ser somente foto para ser uma posição política minha. Isso foi um dos dados que eles gostaram na minha obra''. Para a artista, o projeto mostra ainda a questão do universo da arte, como o preconceito com a própria forma, por exemplo.
Em novembro, Fernanda Magalhães também participa de uma exposição coletiva, com curadoria de Angela Magalhães e Nadja Pellegrino, no Centro Cultural Light do Rio de Janeiro. A exposição reunirá 20 fotógrafos que tiveram obras criadas na capital carioca. ''Vou mostrar os dois primeiros trabalhos da série, 'Auto-Retrato no Rio de Janeiro', ainda inédito, e 'Auto-Retrato Nus no Rio de Janeiro', mostrado apenas uma vez em Londrina, em 1994''.

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