Um lutador, que fazia de seus estudos e sua pintura solitária uma forma de combater a opressão, a violência, as diferenças sociais. Assim poderia ser definido o pintor equatoriano Oswaldo Guayasamín (1919-1999), que, em suas obras, reflete sobre os conflitos dos século XX. A exposição ''Guayasamín'' reúne até o dia 25 de julho, no Museu Oscar Niemeyer (MON), material de mais de 60 anos de carreira do autor, nas mais variadas técnicas.
''A ideia desta exposição é fazer uma 'imagem' de toda sua trajetória. Aqui estão coisas desde os 18 anos até pouco antes de sua morte, aos 79 anos. Desde os pequenos traços, que vão servir para suas obras monumentais, até suas grandes obras'', explica o curador da mostra, Pablo Guayasamín, um dos sete filhos do artista.
Os 98 trabalhos em exposição pertencem ao acervo da Fundação Guayasamín, com sede em Quito, no Equador, e revelam influências da arte milenar pré-colombiana, do muralismo mexicano e de ''Guernica'', de Pablo Picasso, que se faz presente na segunda série da mostra, produzida entre 1964 e 1984, chamada de ''La Edad de La Ira'' (A Idade da Ira). Ali, Guayasamín pintou a Guerra Civil Espanhola, o nazismo, o ataque a Hiroshima, a guerra no Vietnã, as ditaduras nos países latinos, entre outros temas sociais.
''Ele pintou sobre todos os temas, desde retratos, paisagens e natureza morta até os de conteúdo social. Fez trabalhos de muita cor, com lápis, das mais variadas formas'', conta Pablo. A grande preocupação com os temas sociais vieram de sua origem humilde no Equador. Além de pobre e de ascendência indígena, Oswaldo Guayasamín presenciou muito cedo a violência, quando perdeu o melhor amigo devido a uma bala perdida. ''Ele mesmo me disse que se sentia como a ''cor'' do Terceiro Mundo. Suas pinturas lutavam pelos direitos humanos.''
A exposição também mostra um pouco das impressões do próprio artista sobre sua obra. ''Pintar é ao mesmo tempo uma forma de oração e um grito. É quase uma atitude fisiológica e é também a grande consequência do amor e da solidão. Portanto, quero que tudo seja nítido e claro e que a mensagem seja simples e direta. Não quero deixar nada ao acaso. Quero que cada figura e cada símbolo sejam essenciais, porque a obra de arte é uma busca incessante para sermos como os outros e de não nos parecermos com ninguém.''
De acordo com Pablo, seu pai era uma pessoa introspectiva, especialmente quando estava criando suas obras. ''Sobre arte ele não falava conosco. Passava muito de seu tempo livre com a gente transmitindo seu carinho. Isso porque ele ficava ausente muito tempo, vivia viajando e trabalhando, ficava conosco três ou quatro meses no ano'', lembra.
''Ele passava muito tempo estudando e pintando sozinho. Quando ele estudava, dizia que pintar era como orar. Só o víamos quando ele terminava o quadro. Antes disso, ele ficava 'lutando' com a tela'', recorda Pablo, que não reclama da ausência do pai durante a infância. ''Existia muito respeito e carinho. E depois disso, passei a trabalhar e viajar com ele.''
Para o filho de Oswaldo Guayasamín, estar com suas obras no MON é sentir a presença do pai. ''Para mim, ele não está morto. Sua mensagem é hoje mais viva e atual. Sua mensagem é um grito desesperado pela paz e para que toda a América Latina possa se unir um dia.''
SERVIÇO
■ Exposição Guayasamín

Quando - Até dia 25 de julho, com visitação de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Onde - Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
Quanto - R$ 4 e R$ 2 (meia). Gratuito para grupos agendados da rede pública, do ensino médio e fundamental, para estudantes até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês.

mockup