Arte contemporânea para leigos
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Qualquer artista detesta ouvir o chavão, muito comum em exposições modernosas, de que ''isso aí até meu filho sabe fazer''. Ao longo das últimas décadas, porém, não foram poucos os que tiveram que ''engolir'' declarações semelhantes de visitantes em galerias, museus e bienais.
Embora já institucionalizada pelo mercado, a arte contemporânea permanece um universo incompreensível - ou incompreendido - pelo grande público. A apreciação dos leigos parece basear-se ainda em padrões do século 19, reduzindo criação plástica a pintura na parede. Nada mais comum, portanto, do que tripudiar de instalações que usam objetos codidianos em combinações aparentemente despropositadas.
Nunca é tarde, porém, para deixar os preconceitos de lado e aprender um pouco mais sobre instalações e outras manifestações estéticas surgidas a partir da década de 50. Um curso básico de História da Arte Contemporânea será realizado a partir da próxima sexta-feira na Casa de Cultura da UEL com o objetivo justamente de destrinchar o fenômeno para os não-iniciados.
''Vou abordar os sucessivos movimentos de vanguarda e mostrar as diferenças entre o modernismo e o pós-modernismo fazendo links com a Antiguidade, o romantismo e as escolas anteriores com as quais os artistas sempre dialogaram'', explica Maria Christina Zorzeto, professora do curso e da disciplina de História de Arte na Unopar.
Serão oito aulas de duas horas de duração, que serão realizadas às sextas-feiras até o dia 5 de dezembro, das 9h às 11h. De acordo com ela, as rejeições dos leigos à arte produzida fora dos cânones clássicos decorreria de falta de informação. ''Qualquer pessoa precisa de um mínimo conhecimento para fruir criações artísticas'', salienta. ''É importante saber, por exemplo, os motivos que levaram os artistas a abandonarem cânones como harmonia, equilíbrio e proporção passando a trabalhar com materiais diversos num determinado período da história. O que levou-os a essa ruptura? É a partir do conhecimento do passado que vamos entender a evolução das formas.''
Christina assinala que a arte contemporânea é caracterizada pela exigência de pesquisa, a reflexão através das formas e a aproximação da arte em relação à filosofia. ''Em Londrina, estamos observando isso. Vejo jovens talentos na UEL preocupados com essas questões'', ressalta. Ela discorda dos que criticam em bloco a produção visual contemporânea, ala encabeçada no Brasil pelo poeta e crítico de arte Ferreira Gullar.
''Claro que há artistas que apenas repetem o que outros fizeram lá atrás, reproduzindo procedimentos desgastados das vanguardas. Mas como em outras épocas e tendências, há coisas boas e coisas ruins acontecendo. O julgamento da qualidade das obras, do que vai permanecer, não pertence a nós porque estamos vivenciando o processo. Não temos o distanciamento para julgá-las. Quem vai fazer esse julgamento é o público póstumo'', diz.
O curso é promovido pela Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL, com coordenação de Juliana Miranda de Freitas.
SERVIÇO
- Curso de História da Arte Contemporânea
Quando - De 17 de outubro a 5 de dezembro
Onde - Casa de Cultura da UEL (R. Mato Grosso, 537), em Londrina
Mais informações - (43) 3322-6844


