Arte contemporânea chinesa tem mostra no MON
“Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza”, está em cartaz na Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 2026
“Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza”, está em cartaz na Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer

Muito antes de o Brasil e a China celebrarem oficialmente o Ano da Cultura Brasil-China, em 2026, a Bienal Internacional de Curitiba já criava uma ponte entre os dois países por meio da arte contemporânea. Desde 2009, artistas, curadores e instituições chinesas participam do evento de forma contínua, consolidando uma das mais longevas parcerias culturais entre a América Latina e a China. O reconhecimento desse diálogo ganhou forma em setembro de 2017, quando o governo chinês doou à capital paranaense uma estátua em bronze do filósofo Confúcio, criada pelo escultor Wu Weishan, hoje instalada no Centro Cívico.
Essa trajetória ganha um novo capítulo na 16ª Bienal Internacional de Curitiba com a exposição “Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza”, em cartaz na Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON). Integrando o conceito curatorial LIMIARES, a mostra reúne importantes nomes da arte contemporânea chinesa para refletir sobre ecologia, memória, transformação e coexistência.
A exposição segue no diálogo entre Oriente e América Latina. Sob curadoria de Xiao Ge e Windy Lv, o percurso estabelece aproximações entre o pensamento oriental - representado pela noção do Dao, entendida como fluxo permanente de transformação - e imagens profundamente presentes na cultura latino-americana, como o rio e o rizoma, metáforas de vida, movimento e coexistência. Essas referências definem o conceito de LIMIARES.
"O rio nunca pergunta onde estão as fronteiras; ele simplesmente segue seu curso." A imagem utilizada pela curadora Windy Lv sintetiza a proposta da mostra. Em vez de reforçar diferenças entre culturas, a exposição utiliza a arte como linguagem comum para discutir convivência, sustentabilidade, memória e paz em um mundo marcado por transformações aceleradas e tensões geopolíticas.

TRÊS NÚCLEOS
Distribuída em três núcleos - Raízes: Caos e Origem, Rizomas: Natureza e Simbiose e Frutos: Civilização e Eco -, a exposição reúne artistas de diferentes gerações cujas pesquisas se materializam em instalação, vídeo, escultura, fotografia e novas mídias. O percurso parte dos mitos fundadores das civilizações para refletir sobre os desafios ambientais contemporâneos e culmina em uma investigação sobre memória, urbanização, identidade e reconstrução cultural.
Entre os destaques estão Xu Bing, um dos artistas chineses mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por suas investigações sobre linguagem, escrita e sistemas culturais; Yin Xiuzhen, cuja produção transforma roupas, fragmentos e objetos descartados em instalações que discutem memória, urbanização e globalização; e Shen Yuan, artista radicada em Paris que desenvolve projetos site specific voltados às relações entre migração, pertencimento e convivência intercultural. A mostra reúne ainda pesquisas de artistas como Xia Hang, conhecido por suas esculturas de grandes dimensões e estruturas mecânicas lúdicas, Tong Kunniao, que trabalha com objetos descartados para refletir sobre a sociedade de consumo, e Qian Lihuai, responsável por atualizar a tradição milenar da cestaria de bambu em uma linguagem contemporânea.
DIVERSIDADE
O panorama apresentado pela Bienal também evidencia a diversidade da produção chinesa atual por meio de artistas de diferentes gerações e linguagens, como Yang Song, Chen Fenwan, Wu Guanzhen, Chen Zhuo, Lin Chenxi, Xue Lei, Che Jianquan, A Duo, Luo Xi, Lu Hang, Wu Qian, Alex Long Yuan, Geng Le e Kalman Pool, cujas pesquisas transitam entre pintura, instalação, escultura, vídeo, performance, arte digital, inteligência artificial, materiais tradicionais e novas tecnologias. Em conjunto, suas obras revelam uma produção artística profundamente conectada às questões ambientais, culturais e sociais que atravessam o mundo contemporâneo
Para a curadoria, a exposição ultrapassa a dimensão artística e assume um papel diplomático. "A cultura é aquilo que nos une, e o diálogo é o que permite que a humanidade mantenha a esperança", escreve Windy Lv no texto curatorial, ressaltando que Brasil e China encontram na arte um espaço privilegiado para construir aproximações e imaginar futuros compartilhados.
* Com assessoria.
SERVIÇO
16.ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES
Exposição: Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza
Curadoria: Xiao Ge e Windy Lv
Local: Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON) - Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico, Curitiba (PR)
Período: Até 15 de novembro de 2026
Visitação:
Terça a domingo, das 10h às 18h (acesso até as 17h30)
Ingressos: R$ 36 (inteira); R$ 18 (meia-entrada)
Entrada gratuita:
Quartas-feiras e no último domingo de cada mês.
Apoio: TCL Art (televisores em Led)
Informações: www.16bienaldecuritiba.org


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