O embate violento entre a arte e o poder é a temática predominante na programação da 13ª edição do Festival de Dança de Londrina. Durante o evento, que começa nesta sexta-feira e prossegue até o dia 11 de outubro, serão promovidos 18 espetáculos locais e nacionais em diversos espaços da cidade, além de oficinas artísticas. Todas as atrações selecionadas registram, de diferentes modos, a crise institucional que ameaça a cultura e a educação e que trouxe de volta o discuso totalitário que tem se sobreposto à democracia.
O conceito adotado pela curadoria do festival é explicitado já no cartaz do evento, no qual dois bailarinos simbolizam a agressão de policiais militares contra professores estaduais no primeiro semestre deste ano. "Não tem como fazer vistas grossas e fingir que nada está acontecendo. As cenas de violência contra os professores demostram claramente o abuso de poder que toda a sociedade está vivendo. E, infelizmente, essa crise institucional e financeira toda acaba atingindo diretamente a arte e a educação. Nossa intenção é mobilizar as pessoas e provocar reflexões sobre tudo o que estamos enfrentando para juntos encontrarmos meios para superar todas essas dificuldades", salienta Danieli Pereira, coordenadora geral do evento.
Entre os desafios impostos pela crise que provocam impacto no festival, ela cita a falta de estrutura local e impossibilidades criadas por questões financeiras. "Tivemos que reduzir o número de oficinas de dança, que são atividades pedagógicas aguardadas por muitos profissionais de escolas de Londrina e da região. Além disso, o aumento nos valores das passagens nacionais e internacionais acabaram inviabilizando a vinda de companhias importantes para Londrina. E este já é o quarto ano que realizamos o festival sem poder contar com o Teatro Ouro Verde. A demora na conclusão da reforma traz inúmeros problemas técnicos que impedem a realização de determinados espetáculos. Por sorte, os grupos convidados para esta edição do festival se mostraram bastante abertos a improvisos", destaca.
Danieli enfatiza que o público acaba sendo o grande prejudicado por conta da falta de espaços adequados para receber montagens artísticas na cidade. "Com a falta do Teatro Ouro Verde, tivemos que optar por promover a maioria das apresentações no Circo Funcart. E, como cabem apenas 200 pessoas por sessão, muita gente vai acabar não podendo apreciar o trabalho de algumas das maiores companhias de dança contemporânea do País. Mas, nesse momento não temos outra alternativa, pois o palco do circo é o único de Londrina com aparato técnico para receber os espetáculos que estamos trazendo", argumenta.

Serviço
13º Festival de Dança de Londrina
Quando – De 2 a 11 de outubro
Programação - www.festivaldedancadelondrina.art.br

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