O tema ‘‘Árvore’’ inspira seis artistas plásticos na instigante exposição ‘‘Anima Flora - O Natural é Ser Humano?’’. A Galeria Franz Krajcberg, no Jardim Botânico, abriga, de hoje, na vernissage, a 31 de março, instalações, telas, desenhos, esculturas e objetos de Tania Bloomfield, Marília Diaz, Marcelo Conrado, Jefferson Svoboda, Deise Marin e Antonio Razera Neto.
Através de seis linguagens individuais, mas com o objetivo comum de provocar reflexões sobre a interferência humana na natureza, a mostra usa a perspectiva plástica para expor a inserção do homem no meio ambiente, em atuações benéficas ou maléficas.
A coletiva reúne artistas plásticos que desenvolvem há bastante tempo pesquisa com elementos naturais, orgânicos, despojos de animais e detritos humanos. Todos apresentam, a seu modo, uma preocupação ecológica que surpreende pela coerência e interpretação inovadora do tema.
Segundo o artista plástico Marcelo Conrado, a árvore é o denominador comum numa proposta contemporânea de levar ao público a preocupação ambiental. ‘‘Além disso, saímos dos espaços tradicionais de exposições para ir ao Jardim Botânico mostrar o nosso trabalho a um público não habituado com galerias.’’
Kraw PenasMarcelo Conrado e sua instalação de arame oxidado, num chão de placas de mármore e nós de pinhoA instalação de Marcelo é um emaranhado de arame oxidado, num chão de placas de mármore e nós de pinho. ‘‘Raciocino como um sistema, ou como uma teia. Nesse emaranhado existem fios dourados como algo precioso e sagrado. O mármore é uma alusão à Antiguidade, base do nosso conhecimento, e os nós de pinhos representam os obstáculos criados em nossas vidas que, nem o próprio tempo é capaz de destruir.’’
À sua maneira, Deise Marin retoma algumas das mais questionadoras experiências em termos compositivos. Ela pratica uma espécie de minimalismo, jogando no percurso os elementos numa disposição rigidamente geométrica.
A partir das experimentações de sua formação na área de design, Deise serve-se de protótipos de cones com os quais, à primeira vista, constrói dezenas de múltiplos, modularmente dispostos. ‘‘Repasso a bipolaridade, o contraste e a dualidade presentes na natureza e em nossa vidas, como elemento constante’’, define. Para isso, utiliza-se do duo feminino/masculino, agressão/proteção e luz/sombra.
Dos seis artistas, Jefferson Svoboda é o único que apresenta pinturas sobre superfícies bidimensionais. O que não o impediu de construir uma obra monumental de absoluta contemporaneidade para discutir a concepção de espaço.
Embora tenha feito experiências tridimensionais, ao abordar o tema ‘‘árvore’’, Jefferson opta por pinturas de grandes dimensões. Ao propor ícones, adota uma linguagem universal com a articulação de signos capazes de cantar sua aldeia. ‘‘Recebi de presente uma porção de pinhões vindos de Curitiba. E se estas árvores todas brotassem em mim? Percebi a possibilidade de explorar plasticamente a idéia.’’
O designer e artista plástico Antonio Razera Neto dá as costas à tecnologia e redescobre as amplas possibilidades de explorar um mundo inusitado. Usando a técnica box former - de espaço limitado - busca fragmentos da riqueza das formas sobre suportes retangulares ou quadrados.
‘‘Tento olhar em volta, organizar as lembranças para decodificar o significado da arte indígena, antes da chegada do europeu ao nosso continente’’, afirma. Razera é um ávido colecionador de sementes, gravetos e outros pequenos elementos da natureza, com os quais compõe seu trabalho.
Marília Diaz parte de um texto de Hegel para filosofar. Ela usa ovos e frutos cerâmicos como símbolos da vida. Numa lona de 3,4 por 2,5 metros, o texto fica no centro rodeado de envelopes de tecido fechados por velcro, como em cartas que falam da passagem do tempo. ‘‘As cartas são lâminas de uma árvore que não existe mais. O ovo, símbolo da vida’’, reforça.
A artista plástica Tania Bloomfield - idealizadora da exposição - resgata através do tato a alma das árvores. Como corpos vivos na natureza, as árvores foram envoltas em tecido de algodão engomado.
Ao instalar esses objetos nascidos da moldagem direta de árvores, Tania cria um espaço para reflexão, pondo a descoberto a magia que integra o homem à natureza vegetal e animal. Desta forma, a artista plástica denuncia a ameaça de destruição da ecologia e da própria sobrevivência da vida no planeta.
Exposição coletiva ‘‘Anima Flora - O Natural é Ser Humano?’’, na Galeria Franz Krajcberg, no Jardim Botânico, em Curitiba, de 4 a 31 de março, das 8 às 18 horas.Kraw PenasDeise Marin e sua instalação: ‘‘Repasso a bipolaridade, o contraste e a dualidade presentes na natureza e em nossa vidas, como elemento constante’’Elisa Marilia Carneiro

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