Arte com mais de 80 anos
Com o talento lapidado ao longos dos anos, artistas das mais variadas vertentes têm provado que, em muitos casos, a plenitude é o maior saldo trazido pela idade avançada. No mês em que se comemora o Dia do Idoso, celebrado no último dia 1º, Londrina nada como homenagear representantes de peso quando o assunto é vitalidade. Quem tem o prazer de ouvir Nelson José da Silva, o Seo Nelson, dedilhando seu violão com maestria e interpretando por horas clássicos do samba fica surpreso com seu entusiasmo. "Normalmente, toco por três horas seguidas. Meus filhos costumam brincar comigo dizendo que sou o único artista que anuncia a saideira e ainda toca umas sete músicas antes de encerrar a apresentação. Faço isso porque amo cantar e tocar, não sinto o peso do tempo", argumenta.
Quando se aposentou como secretária no final dos anos 1990, a paulista Maria do Carmo Lopes de Mattos, imaginava levar uma vida pacata ao lado da filha jornalista que morava em Londrina. No entanto, seus planos mudaram quando ela recebeu um convite para participar do grupo de teatro Casa das Fases. "Era um grupo formado por idosos e o diretor da companhia me convidou para ensaiar uma peça. Eu nunca havia pensado em ser atriz, mas acabei aceitando o desafio e me apaixonei pelo teatro aos 68 anos de idade", lembra.
Com mais de 300 quadros no currículo, o artista plástico londrinense Julio Gentil afirma que a idade só o fez ter ainda mais convicção do que pretende com sua arte. "Comecei a pintar na adolescência com a meta de transmitir beleza e alegria através dos meus quadros. Esse continua sendo o meu objetivo até hoje. Quando produzo uma tela e acho que ela não tem essas características faço questão de destruí-la, acho que ela não merece viver se não transmitir beleza e alegria", ressalta.
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