"Arte", com direção de Mauro Rasi, reestréia sábado
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 05 (AE) - Reestréia sábado, em sessão beneficente para a Associação Obra do Berço, e no domingo para o público, no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, a comédia "Arte", da iraniana Yasmina Reza, dirigida por Mauro Rasi, com Paulo Goulart, Paulo Gorgulho e Pedro Paulo Rangel no elenco. Na peça, a autora toma como ponto de partida o poder da arte para provocar reflexão e discussão. Um quadro em branco adquirido por Sérgio (Gorgulho) desestabiliza uma amizade de 15 anos entre ele
Marcos (Goulart) e Ivan (Rangel).
Orgulhoso da obra pela qual pagou R$ 50 mil, Sérgio convoca Marcos para apreciá-la, mas, ao contrário do que esperava, o amigo não só desaprova a aquisição como ridiculariza o que considera uma empulhação. Ivan emociona-se diante do quadro, mas não consegue explicar o porquê e acaba atraindo a ira de Marcos e Sérgio. Segundo Paulo Goulart, a divergência em torno do quadro é só um pretexto para discutir as relações humanas. Ele define seu personagem como o "sabe-tudo", um homem conservador. "Por ser mais velho e experiente, ele se acostumou a ser o mentor intelectual do grupo". Além de desaprovar sinceramente a aquisição do amigo, ele se ressente pelo fato de não ter sido previamente consultado e reage agressivamente ao sentimento de exclusão. Sérgio, por sua vez, quer livrar-se da ascendência intelectual do amigo. Médico dermatologista, bem-sucedido na profissão, busca ampliar seus conhecimentos artísticos e não se considera um mero seguidor da moda como acredita Marcos.
Gorgulho elogia a forma como a autora constrói os personagens. "Ela captou bem o espírito de competição que perpassa a amizade entre homens". Rangel interpreta o menos intelectualizado dos amigos. Vivendo de bicos, Ivan está longe de ser um iniciado em artes plásticas e talvez por isso o quadro o toque tanto. Desarmado, deixa-se levar pela intuição diante da obra. Conciliador por natureza, sofre ao canalizar a raiva dos amigos. "Ele é menos racional e mais sensível", define Rangel. Rasi afirma ter optado por uma encenação simples. "A força do espetáculo está no texto, que eu adoraria ter escrito, e na atuação do elenco".


