ARTE CIRCENSE
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Capaz de colocar diante do espectador a dimensão dos limites humanos o circo atrai pelo inesperado, pelo surpreendente e pelo exótico. Em Alegría, o Cirque du Soleil extrapola a arte circense e prende o espectador também pelo belo e pela sutileza. Em sua primeira passagem pelo Paraná a trupe canadense iniciou a turnê brasileira na última sexta-feira, no estacionamento do Centro de Convenções do Expotrade, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde fica até o dia 7 de outubro.
No total, serão 250 apresentações no Brasil até maio de 2008, passando por Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Esta é a segunda turnê do Cirque du Soleil no País, a primeira foi a do espetáculo Saltimbanco, no ano passado, com apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo.
Produzido para comemorar os dez anos da companhia, em 1994, Alegría une elementos do circo tradicional presentes no trabalho de artistas como os trapezistas, os acrobatas, os contorcionistas, os manipuladores de fogo e os palhaços, em uma estética própria. O espetáculo não tem mágicos nem domadores de leões. Os números apresentados têm como base a comunicação com o público por meio da expressão corporal coreografada.
A cada atração o artista conta primordialmente com a habilidade comunicativa do próprio corpo e a capacidade de transformar o virtuosismo em um discurso poético, marca da companhia. Foi com a exploração dos limites do corpo, própria da arte circense, aliada ao aspecto lúdico como fio condutor de seus espetáculos que o Cirque du Soleil revitalizou o conceito de circo.
Tudo favorece a aproximação entre o público e os artistas. E, mesmo sob a lona, a interação é tão grande quanto aquela típica em espetáculos de rua. O público é envolvido pela atmosfera mágica da tenda e torna-se parte da cena já desde os primeiros momentos quando os músicos andam entre os espectadores, convidado-os a participar. Toda a trilha musical é executada ao vivo. As músicas, o figurino sofisticado e toda a concepção do espetáculo são inspirados nas caravanas circerses que cruzavam a Europa durante a Idade Média.
Além do formato do espetáculo, a estrutura do local favorece a proximidade entre platéia e elenco. O picadeiro é pequeno em relação aos dos circos de 20 anos atrás que utilizavam cerragem e animais em cena. No Cirque du Soleil, a arquibancada tem cadeiras numeradas e as crianças ainda recebem uma almofada para ficarem mais altas e não perderem nenhum detalhe da apresentação. E não faltam a picoca, a maçã-do-amor e o algodão-doce.
A apresentação é dividida em dois atos de uma hora cada um, com um intervalo de meia-hora. A primeira parte inicia com um número solo em que a trapezista dá uma breve demonstração do que está por vir: técnica apurada envolta por uma atmosfera poética. Depois, no picadeiro multifuncional que vai adaptando-se, vêm os números acrobáticos, de contorcionismo e força descomunal, palhaçadas e suspense com fogo. O primeiro ato encerra com o número mais poético do espetáculo, uma representação sobre a solidão e a fragilidade humana. A segunda parte traz mais acrobacias, contorcionismo, sátira, trapézio e vontade de ver tudo de novo.


