O circo fascina adultos e crianças, assistir aos espetáculos nos transporta para um mundo mágico, acrobatas, malabaristas e trapezistas encantam com sua habilidade. Imagine poder aprender a realizar esses números e desenvolver algumas dessas habilidades em uma escola. Esta é a oportunidade oferecida pelo Instituto Aguativa às crianças de Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio).
A oficina de circo começou há um mês, é a mais recente, e além dela há o futebol e a dança. A Trupe Tangará, de Londrina, é a responsável pelas aulas de circo, ministradas de segunda e quinta-feira, de manhã é à tarde para cerca de 50 crianças e adolescentes. Eles têm experiência tanto em escola de circo, participaram da fundação da Escola de Circo de Londrina, como em espetáculo circense, Carlos Tangará é referência entre os apreciadores dessa arte.
Pedro Giovane, um dos responsáveis pelas aulas, conta que as crianças têm muita empolgação e respondem muito bem a todas as atividades. ''No começo achei que poderia haver algum preconceito, mas não houve. Elas adoram as aulas, só faltam se ficam doentes. Pelo ritmo de aprendizado, em breve vamos poder fazer apresentações.'' Ele explica que no início das aulas é feito o aquecimento e todo o trabalho de força, para os pulsos, pernas e abdômen. Nas segundas trabalham trapézio, acrobacias de solo e pirâmide e nas quintas malabares, tecidos e pirâmide novamente. No final das atividades sempre há uma conversa com o objetivo de trabalhar a educação, conceitos de higiene e comportamento para que as crianças possam também se desenvolver como cidadãos.
No período da manhã as aulas são para os menores, eles ficam das 9h30 às 12 horas, à tarde é a vez dos adolescentes, das 14 às 18 horas. O projeto acabou de se mudar para uma nova sede, maior, e que ainda está em reforma, mas isso em nada atrapalha o desenvolvimento das atividades. O entusiasmo dos pequenos também é evidente, eles chegam em grupos e aguardam, comportadamente, o início das atividades.
O aquecimento é feito com disposição, mesmo que alguns errem o compasso e destoem do grupo, mas não tem importância porque o melhor, ir para os exercícios, está chegando. As atividades aéreas são as que mais fascinam e atraem as crianças - algumas já pensam em ser profissionais de circo. Denner Ildemar Feitosa de Melo, 10 anos, conta que gostaria de ser acrobata. ''Gosto muito de tudo que a gente faz aqui, aprendemos a fazer bastante coisa. Os malabares são bem legais, mas penso em trabalhar com as acrobacias.''
Denner sabe que essa pode ser um oportunidade para ter uma profissão e também conhecer outros lugares. Além da oficina de circo, ele é um dos poucos meninos que participam das aulas de dança e já se apresentou em outras cidades. ''É uma oportunidade da gente conhecer outros lugares, já apresentamos em Sertaneja, Cornélio Procópio e também no Aguativa.'' Ele conta que gostou muito da experiência, mas o circo é o que mais atrai o menino.
Segundo Pedro Giovane, Denner tem razão, pois as aulas dão, àqueles que têm vontade e vocação, a possibilidade de atuar profissionalmente. ''Trabalhamos para isso, queremos mostrar a eles essa possibilidade, além de atuarem profissionalmente em espetáculos, podem também serem professores nas escolas de circo.''
Mas no momento são poucos os que pensam no futuro profissional, pelo menos entre os menores, o que querem é aprender. As crianças prestam toda a atenção às explicações e demonstrações dos exercícios feitas pelos professores. No trapézio a preocupação é com o equilíbrio, mas também com a leveza e beleza dos movimentos. Os meninos realizam um tipo de movimento, as meninas outros. Mesmo aqueles que têm um pouco de medo de altura, com o incentivo dos amigos, acabam realizando as tarefas. Maísa Rosa Moraes, 8 anos, no início estava receosa, mas acabou fazendo o exercício. ''Dá um pouco de medo, mas gosto muito do trapézio, é o meu preferido.''
Enquanto um grupo faz as rotinas do trapézio, os outros realizam exercícios de solo. Para quem faz esses é preciso desenvolver a confiança no companheiro porque, por exemplo, a pirâmide, precisa de um trabalho de grupo para se erguer. Isso vai ajudando também no desenvolvimento pessoal, afinal confiança é fundamental para se viver em sociedade.
O pequeno Sandro de Oliveira, 6 anos, chama a atenção, é o menor dos pequenos alunos, mas um dos mais entusiasmados. O professor conta que na verdade Sandro está abaixo da idade para participar, que é de 7 anos, mas vinha todos os dias acompanhar o irmão João Paulo e ficava evidente o interesse do menino. ''O irmão mais velho deles e depois a mãe vieram falar comigo que em casa o Sandro queria fazer tudo o que via na aula, então o inscrevemos no projeto. Ele presta muita atenção e realiza tudo com uma vontade tremenda. É emocionante ver o entusiasmo dele.''

mockup