ARTE CIRCENSE - Cirque du Soleil, mágica para recriar a alegria
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sábado, 02 de junho de 2007
Texto de Francismar Lemes <br>Fotos de Sérgio Ranalli<br> Enviados a São Paulo 
Os sonhos são molduras sem espelho em que a realidade pode ser do jeito que desejamos. Para o Cirque du Soleil, a maior companhia circense do mundo, essa é a mágica para criar o reino ''Alegría'', espetáculo que estréia dia 14 de setembro, em Curitiba, a segunda turnê nacional por seis capitais.
Ao quebrar esse espelho na frente do público brasileiro, estimado em mais de 600 mil pessoas, que devem lotar a tenda itinerante montada, além de Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, ''Alegría'' deixará escapar personagens fantásticos e que se tornaram a luz do circo do sol e que outros grupos no mundo perseguem.
Dirigido pelo italiano Franco Dragone, ''Alegría'' é o mais popular espetáculo da trupe. Criado ainda por Gilles Ste-Croix, com figurinos de Dominique Lemieux, cenografia de Michel Crête, coreografia de Debra Brown, designer de som assinado por Guy Desrochers, designer de luz de Luc Lafortune, a trilha sonora translúcida de René Dupéré para ''Alegría'' permite enxergar toda a magia, que liberta não só o espírito circense, mas do teatro, da dança, ginástica e até do cinema, que dão vida aos números do Soleil.
''Concebemos o espetáculo em 1994, logo depois de 'Saltimbanco', com o mesmo conceito. Porém, não é de forma alguma a mesma coisa. É a celebração da vida, que comparamos aos elementos da natureza, sendo criado como se fosse um reino antigo. É como se todas as pessoas daquele reino tivessem saído e todos esses personagens tivessem tomado conta desse reino. É um paralelo entre a beleza, as coisas existentes e as diferentes gerações'', afirmou durante entrevista coletiva de lançamento da turnê nacional, em São Paulo, o diretor artístico, o canadense Luc Ouellete.
''Alegría'' é o segundo espetáculo da companhia a desembarcar no Brasil com promoção da Cie Brasil e patrocínio exclusivo do Bradesco e apoio da TAM e Grupo Multiplan. O primeiro foi ''Saltimbanco'', em 2006, apenas no Rio de Janeiro e São Paulo.
Oportunidade para o público brasileiro assistir ao espetáculo visto por mais de 9 milhões de pessoas de 15 países em mais de 50 cidades como Nova York, Chicago, Tóquio, Sidney, Cingapura, Hong-Kong, Berlim, Londres, Barcelona, Viena e Zurique. A última escala da turnê, antes do Brasil é Paris, onde a companhia ainda está se apresentando.
Com um elenco de 53 artistas de 14 nacionalidades, incluindo o carioca Marcos de Oliveira Kazuo, que participa de um número de palhaços, ''Alegría'' traz o público para a sua corte.
No lançamento da turnê nacional, em São Paulo, os convidados puderam contemplar um pouco desse mundo mágico com a apresentação dos solos da ex-ginasta russa, Maria Silaeva, e da cortocionista da Mongólia Oyun-Erdene, que em seus números isolam qualquer questionamento dos limites do corpo, que obedecem às ordens do Soleil.
Em nove atos, ''Alegría'' faz as coisas aparecerem e desaparecerem com a mesma velocidade dos vôos no trapézio.
Treze acrobatas ajudam a desenhar no ar o mundo sobre um trampolim, conquistando não só as alturas mas também a própria evolução da companhia, já que alguns números ao longo das apresentações vêm ganhando mais dificuldades.
Os clowns do Soleil - e somente os da trupe do sol - permitem ao público chorar com o nonsense e a poesia, que garantem alguns dos momentos mais belos do espetáculo, que aproxima do cinema o circo reinventado pelo canadense Gy Laliberté, em 1984.
Outro número em que o lirismo protagoniza um monólogo para emoção é ''Handbalancing''. Preso por cordas elásticas, um artista solitário proporciona em seus vôos sobre a platéia num instante quase que de redenção.
Para que toda essa magia aconteça, o Soleil conta com 800 toneladas de equipamentos e o trabalho de bastidores que inclui até a montagem de uma vila sobre rodas de 20 mil metros quadrados, totalmente auto-suficiente, para que, no palco, artistas como a manipuladora russa Maria vivam a própria mágica do circo do sol.
''O Soleil é uma família, com uma grande estrutura e técnica, que me ajudam a desenvolver o meu talento. Quando estou no palco, me sinto em outro mundo, em um lugar onde consigo me expressar'', afirmou Maria.
A exigência técnica da trupe acompanha o virtuosismo, como demostrou a contorcionista da Mongólia ao contar na coletiva que foi escolhida para o circo durante uma audição em que nove artistas do País, com tradição no cortorcionismo, foram selecionados para se prepararem em um ano. Apenas duas passaram a integrar o elenco.
Dessa receita nasceu o Soleil que, com o espetáculo ''Saltimbanco'' faturou no Brasil R$ 60 milhões, esperando para a turnê 2007/2008 de ''Alegría'', um faturamento de R$ 130 milhões.
Os organizadores, que enfrentaram críticas sobre o benefício da Lei Rouanet para ''Saltimbanco'', não descartam a possibilidade de contar com o incentivo cultural mais uma vez.
O público, que ainda espera conhecer o maior circo do mundo, terá a chance multiplicada por seis em cada uma das capitais brasileiras em que a tenda será montada. O preço é salgado, mas algumas facilidades de pagamento dos ingressos podem dar um pouco mais de alegria aos que querem assistir a esse raio de sol, que emprega 900 artistas de 40 nacionalidades.
(Os jornalistas viajaram a São Paulo a convite dos promotores da turnê nacional)


