ARTE CIRCENSE - 'A vida no circo é uma enciclopédia'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Ana Setti Rosa<br> Reportagem Local 
Em paralelo, para acomodar a comunidade, é necessário conectar água e luz, com a ajuda de equipamentos que o próprio circo traz, e arrumar a ''casa'', que pode ser o trailer familiar, propriedade de cada grupo de artistas, ou as carretas tipo baú moradia disponibilizada pelo ''Mundo Mágico'' ao seu pessoal fixo , divididas em 20 pequenos ''apartamentos''.
O tempo de estada ou o local disponível, sejam quais forem, não impedem a montagem ou o acionamento dos recursos tecnológicos indispensáveis à vida moderna, tais como antenas parabólicas, máquinas de lavar e respectivos varais, aparelhos de som, de vídeo, DVD, além de ar-condicionado. Os objetos de decoração, quando a parada é mais longa, são retirados das caixas, mas os imãs de geladeira permanecem, incólumes, durante e nos intervalos das inúmeras viagens.
A comunicação com o mundo nunca é interrompida, seja usando a Internet, nas cidades em que estão no momento, ou os celulares, sendo que o sistema preferido é o de cartão, para evitar problemas com contas, pois para onde seriam enviadas? Contudo, apesar do movimento incessante, todos têm um lugar que podem chamar de seu, um ponto de referência, para onde vão nas férias ou nos feriados de fim de ano.
A família de Paulo, por exemplo, cuja filha Sabrina, trapezista, é casada com Jefferson, motociclista do Globo da Morte, segue para Ribeirão Preto, onde mantém casa e apartamento. O domador Rui vai para Santa Catarina, no município de Penha, onde fica o parque Beto Carrero World, no qual seus pais e irmãos atuam. O casal Roman e Érika, pais de Anastácia, rumam para mais longe, até Moscou, na Rússia, enquanto o argentino Erick Leone, que há 32 anos prepara números com cães, dirige-se ao México.
Viajar, conhecer cidades novas e culturas diferentes, fazer amigos em todos os lugares e aprender muito pelo caminho são os pontos comuns, em termos do prazer propiciado pela vida no circo, dos integrantes dessa comunidade sobre rodas. ''A vida no circo'', enfatiza Erick, ''é uma enciclopédia''. Sendo assim, é importante que se preserve a harmonia e a boa convivência do grupo, cultivando a solidariedade, o respeito aos horários e compromissos assumidos, e a seriedade na preparação dos artistas e das diversas atrações. Quem não se adapta à disciplina interna e afronta as normas, ''na primeira vez, recebe uma advertência'', conta Paulo, ''na segunda, é mandado embora''. Tudo isso para que o circo continue atraindo e fascinando crianças e adultos, sem lançar mão de nenhum tipo de apelo grosseiro ou de gosto duvidoso. ''O circo é um espetáculo sadio'', afirma Paulo, ''onde se pode levar a família, sem passar vergonha''.
Serviço
- O circo Mundo Mágico de Beto Carrero permanece em cartaz em Londrina até dia 28 de setembro, ao lado do Catuaí Shopping Center. Horários: de segunda a sexta-feira, às 20h30; aos sábados e domingos, sessões às 16 horas, 18h30 e 21 horas. Ingressos: R$ 7,00 (cadeira lateral criança), R$ 12,00 (cadeira lateral adulto), R$ 10,00 (cadeira central criança), R$ 15,00 (cadeira central adulto), R$ 20,00 (cadeira preferencial), R$ 100,00 (camarote com quatro lugares). A temporada do Circo na cidade tem apoio cultural da Folha de Londrina. Com o bônus-anúncio que será publicado nos dias 16, 19, 23 e 25, na Folha, adultos pagam o preço referente ao ingresso de criança. Mais informações e reservas pelo telefone: (43) 9971.0736.


