A escalada da arte contemporânea brasileira no panorama mundial conquista uma significativa presença na Bienal Internacional de Veneza, em junho próximo. Oito brasileiros participam da 50 edição do evento, quatro vezes mais que em 2001.
Só o curador argentino Carlos Basualdo, responsável pelo segmento ''A Estrutura da Sobrevivência'', organizado no Arsenale, selecionou cinco brasileiros, de um total de 25 artistas em sua seção. Os escolhidos são: Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Fernanda Gomes, Marepe e Alexandre da Cunha, que vive em Londres.
Já Francesco Bonami, o curador-geral da bienal, responsável por dois segmentos, leva a mineira Rivane Neuenschwander para ''Atrasos e Revoluções'', que será organizada no pavilhão italiano. A seleção é completada por Rosângela Rennó e Beatriz Milhazes, que representam o país no pavilhão do Brasil, organizado pela Fundação Bienal de SP, com curadoria do alemão Alfons Hug.
Basualdo, responsável por ter levado Meireles e Artur Barrio para a última versão da Documenta de Kassel, no ano passado, partiu da situação de sua terra natal para articular os artistas em seu segmento. ''Tentei refletir sobre o território latino-americano, a partir da Argentina, para realizar um mapeamento da produção cultural com a experiência da crise. Como esse é um tema global, acabei incluindo também artistas da Europa e da África'', disse o curador à Folha, por telefone, de Veneza, na última terça.
Dos brasileiros em seu segmento, Meireles será responsável pelo projeto gráfico do catálogo da mostra, Oiticica será visto em cinco maquetes dos anos 70 e Cunha terá uma seleção de obras dos últimos anos. Só Marepe e Fernanda Gomes irão produzir novas obras para a exposição. Todos os artistas, e mesmo Oiticica (1937-1980), o clássico da arte contemporânea nacional, trabalham com materiais simples, criando novos comentários poéticos a partir de assuntos banais do cotidiano.
A participação brasileira, com exceção do pavilhão nacional, será patrocinada pela associação BrasilConnects.

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