Arte brasileira garante espaço na 18ª edição da Arco, em Madri
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 08 (AE) - Será inaugurada amanhã (09) à noite, em Madri, a 18.ª edição da feira de arte contemporânea "Arco", uma das mais importantes instituições do gênero no mundo e que abre cada vez mais espaço à produção latino-americana. Este ano, a França é o país homenageado do evento, sendo representado por quase 40 galerias. Mas confirmando que a feira é uma espécie de porta de entrada da Europa para os latinos, os organizadores do evento decidiram abrir um espaço inédito aos artistas brasileiros.
Quatro deles, selecionados a dedo pelo curador Adriano Pedrosa, foram convidados a participar do segmento dos "Projects Rooms", que oferece a artistas específicos a oportunidade de realizar mostras individuais durante a feira. A participação nacional equivale a um décimo do total de "Projects Rooms" e é a única da região a ter um curador específico.
Pedrosa teve ampla liberdade para escolher os participantes dos "Project Rooms", mas teve de ater-se a apenas um artista por galeria. Os selecionados foram Edgard de Souza, pela Galeria Luisa Strina; Iran do Espírito Santo, pela Camargo Vilaça; Rochele Costi, pela Brito Cimino; e Sandra Cinto, pela Casa Triângulo.
Souza estará expondo fotografias e esculturas relacionadas com as questões do corpo e da personalidade, da série mostrada na última Bienal de São Paulo. Rochele também volta a exibir as fotografias da série "Quartos". Iran do Espírito Santo realizará uma mostra que combina trabalhos já expostos no Brasil com um desenho realizado especialmente no local da "Arco". Já Sandra Cinto desenvolveu um projeto específico para a feira e apresentará um delicado trabalho que brinca com a idéia de percepção do espaço e camuflagem. Trata-se de uma sala toda pintada de cinza, com objetos de forte carga simbólica (como malas, estantes, objetos de banho) exatamente da mesma cor, sobre os quais a artista cria seus sutis desenhos.
Além disso, o País estará representado pela galeria Camargo Vilaça e pela Casa Triângulo - que juntas representam cerca de 50 artistas, incluindo alguns estrangeiros - e por artistas também levados por galerias européias e americanas (como Vik Muniz e Miguel do Rio Branco) e terá presença garantida nos ciclos de debate que se tornaram marca registrada da "Arco".
A presença em feiras do gênero é vista pelas galerias não apenas como uma fonte de bons negócios, mas como uma forma de obter um fôlego e uma liberdade de ação maior. "Não podemos ficar restritos à cena local", diz Marcantônio Vilaça, que participa de feiras internacionais desde que inaugurou a galeria, em 1992. Hoje ele tem um dos cinco maiores estandes da "Arco", com 115 metros quadrados.
O marchand faz questão de deixar claro que as vendas não são o principal atrativo de um evento como esse - mesmo sendo muito bem-vindas. O fato de a Arco ser visitada por curadores, críticos, colecionadores e diretores de museus de todo mundo abre excelentes oportunidades futuras. Segundo Vilaça, outra vantagem da "Arco" é que ela é uma feira popular, o que permite divulgar também entre o público o trabalho dos artistas. Ela recebe 180 mil visitantes, ficando em cartaz durante apenas seis dias. Chicago e Basel, consideradas as duas mais importantes feiras do mundo têm um público de cerca de 30 mil pessoas. Visibilidade - Nazareth Pacheco, por exemplo, participa atualmente de uma exposição em Madri organizada por uma curadora que viu seu trabalho e gostou dele em 1997 (quando a Arco homenageou a América Latina), conta a marchande Valú ària. Ela foi à Arco no ano passado, mas este ano desistiu de participar e se sente aliviada por isso, em razão do forte acréscimo nos custos que teria em decorrência da alta do dólar.
Um sinal de que não é só o lado comercial que atrai os marchands para eventos como a "Arco" é a presença de projetos bem pouco vendáveis, como as performances que Laura Lima apresentará durante o evento. "A minha intenção é dar visibilidade aos artistas com quem trabalho", explica Ricardo Trevisan, proprietário da Casa Triângulo, única brasileira convidada para o segmento "Cutting Edge", criado pela Arco para apresentar o trabalho de galerias novas ou vanguardistas.
Tanto o "Cutting Edge" quanto os "Project Rooms" são subsidiados, o que permitiu à Trevisan ter uma participação de destaque investindo apenas cerca de US$ 12 mil (sem incluir o transporte). "Se vou vender é imprevisível, mas é um investimento que tem de ser feito, sobretudo porque a arte brasileira tem despertado um interesse cada vez maior no exterior."


