Arte brasileira em destaque
Celso Fioravante
Agência Folha
Uma história diferente da arte brasileira começa a ser contada neste final de ano, com a chegada ao mercado da coleção Espaços da Arte Brasileira (Cosac & Naify Edições), com projeto editorial do crítico e ensaísta Rodrigo Naves.
A coleção é diferente pois não se pauta em um desenvolvimento cronológico da arte ou sequer nos nomes mais emblemáticos da produção nacional. A idéia básica é fazer um mapeamento da arte brasileira pautado em dois critérios. Ela deve eleger valores artísticos, mas não necessariamente unanimidades. Também não me parece que haja uma história da arte brasileira coesa, em que os artistas dialogam e criam um movimento. Nossa arte é construída por valores individuais. Achei pertinente mostrar essa rarefação da arte brasileira, disse Rodrigo Naves. Segundo Naves, o objetivo é propiciar ao público um contato significativo com a obra dos artistas a partir de textos fundamentados e didáticos sobre particularidades das obras dos artistas. Não pretendemos esgotar os assuntos, avisa Naves.
Os primeiros cinco volumes da série são Volpi (por Lorenzo Mammi), Goeldi (Rodrigo Naves), Dacosta (Paulo Venancio Filho), Neoconcretismo - Vértice e Ruptura do Projeto Construtivo Brasileiro (Ronaldo Brito) e Mestre Valentim (Anna Maria Fausto Monteiro de Carvalho).
Dos cinco volumes, apenas o Neoconcretismo é uma reedição de um livro já editado (e esgotado) pela Funarte, mas que vem corrigido e enriquecido. Cada volume traz um ensaio crítico, uma cronologia do artista e uma bibliografia básica, além de cerca de 60 fotografias coloridas de obras. Apesar de este primeiro pacote ser exclusivamente dedicado às artes plásticas, o próximo se dedicará também à arquitetura. As artes plásticas e a arquitetura sempre estiveram muito próximas. Quando elas se separam, ambas perdem, justificou Naves.
Para o ano que vem, está previsto o lançamento de volumes sobre o artista Sérgio Camargo, o fotógrafo Marc Ferrez , o multimídia Flávio de Carvalho e os arquitetos Joaquim Guedes, Álvaro Vital Brazil e Villanova Artigas. Por enquanto, nenhuma mulher à vista. Hélio Oiticica e Lygia Clark ficam de fora.
A opção por nomes mais obscuros ao grande público, como Milton Dacosta e Mestre Valentim, não foi apenas conceitual. A editora também queria livros de Hélio Oiticica e Lygia Clark, por exemplo, mas não obteve autorização das famílias. Tivemos que trabalhar com esse tipo de contingência, disse Naves.
Outro problema enfrentado pelo organizador foi a falta de críticos e ensaístas que se dispusessem a escrever sobre os artistas selecionados, algo que demonstra que a produção estética está à frente da produção crítica. Ainda não encontrei quem escrevesse sobre Guignard, mas isso deverá ser resolvido, acrescentou. Assim Guignard poderá ser incluído no pacote de 2001, que já conta com nomes como o paisagista Burle Marx, o pintor Jorge Guinle e o escultor Aleijadinho.





