São Paulo, 19 (AE) - Desde sexta-feira, um grupo de franceses vem excursionando pelos museus e instituições culturais do País para preparar uma das maiores exposições sobre arte brasileira já realizadas na Europa: "Brasil Barroco, entre Céu e Terra", que será inaugurada em 2 de novembro no Petit Palais pelos presidentes Jacques Chirac e Fernando Henrique Cardoso.
O objetivo é apresentar aos franceses a riqueza da arte colonial brasileira, pouco conhecida na Europa, mas que revela muito da história e da formação da cultura nacional. "Queremos permitir que o público descubra a beleza dessa arte de caráter emocional e sua evolução histórica", explica o diretor do Petit Palais e um dos curadores do evento, Gilles Chazal. Segundo ele, existe uma relação profunda entre o barroco e a América Latina.
A curadoria está sendo preparada a seis mãos. Do lado francês participam Chazal e Édouard Pommier, inspetor-geral honorário dos museus da França e representante da União Latina, que promove a mostra. O Brasil está representado pelo secretário da Cultura de Minas, ¶ngelo Oswaldo de Araújo Santos, que desde domingo recepciona o grupo de franceses em seu Estado para mostrar-lhes as riquezas que farão parte da exposição.
A maioria das peças já foi selecionada e o evento deve contar com cerca de 350 obras, além de fotografias, mapas e documentos que ajudarão a contextualizar o barroco brasileiro. O evento vai contemplar ao mesmo tempo a história do Brasil e a evolução artística. "Primeiro vamos mostrar o momento da descoberta", explica Pommier. Com relação à produção artística, a mostra tem dois grandes núcleos: o barroco do açúcar (que contém principalmente obras do século 17) e o barroco do ouro, referente à produção mineira do século 18, que tem grande parte dedicada ao Aleijadinho.
Apesar do esforço em contextualizar os trabalhos para um público completamente leigo, os curadores buscaram evitar o excesso de didatismo. "Deixamos as obras falar por elas mesmas, expressando um sentimento de vitalidade, de fervor, uma espécie de seiva vital, de generosidade", explica Pommier. Também será organizado um alentado catálogo, com textos de vários especialistas brasileiros.
A data de abertura da exposição foi escolhida a dedo, para dar ao Brasil um lugar de destaque na festa do réveillon do ano 2000. A expectativa dos organizadores é que o evento tenha um público recorde, de quase 300 mil pessoas, até o dia 6 de fevereiro, quando será encerrada. Segundo eles, um dos grandes atrativos da mostra é o caráter peculiar do barroco brasileiro, que possui uma alegria da cor que a distingue do europeu. "Nele você encontra a Europa, a ásia e a áfrica", diz Chazal.
Aos brasileiros que não poderão ir a Paris ver a mostra, resta o consolo de saber que essas obras-primas estão espalhadas por museus e igrejas de todo o País à disposição do público. Além disso, os paulistanos tiveram a oportunidade de mergulhar nesse universo mágico do barroco brasileiro graças à exposição realizada ano passado pelo diretor da Pinacoteca do Estado, Emanuel Araújo. Aliás, vários dos destaques da mostra parisiense já estavam presentes nessa mostra.

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