ARTE AO ALCANCE DO PÚBLICO
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Um conjunto de 36 obras pictóricas do extinto Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. (Badep) poderá ser visto, a partir de hoje, no hall da Secretaria de Estado da Cultura, em Curitiba. As telas, pinturas, aquarelas e até um painel em madeira de Poty sintetizam algumas décadas da arte paranaense, através de representantes ilustres. Os trabalhos que ali estão englobam desde o figurativo de Guido Viaro à geometria de Osmar Chromiec, passando pelos barracos estilizados de Domício Pedroso.
O Badep, mesmo sendo uma instituição financeira, tinha uma tendência às artes, tanto assim que chegou a criar uma galeria em sua sede e instituiu o Prêmio de Aquisição, concedido pelo Salão Paranaense. Para evitar que o conjunto das obras se pulverizasse, foi decisiva a participação do liquidante do banco, dr. Wilmar Maquiaveli, no processo que resultou na guarda do material pela Seec.
A secretária da Cultura, Lúcia Camargo, conversou com a Folha Dois sobre esta ação que ela considera uma nova conquista da pasta. Aproveitando o encontro, mandou um recado para os londrinenses que ficaram impossibilitados de ver o Comboio Cultural, devido às chuvas que caíram na cidade. A trupe de músicos, atores, bailarinos voltará à cidade, afirmou. Para tratar desse assunto, e também visitar o Museu Histórico Carlos Weiss, a secretária agendou uma visita a Londrina na próxima semana.
Como a senhora avalia a importância do acervo do Badep, agora sob os cuidados de sua secretaria?
O Badep foi extinto e tinha uma pinacoteca comprada pelos diretores com obras de Guido Viaro, Nilo Previdi, De Bona... Enfim, nomes importantes da nossa pintura e prêmios de aquisição do Salão Paranaense. Ali estão alguns dos precursores da nossa arte até os contemporâneos, do final dos anos 80. Essas obras pouca gente viu. Porque eram obras que estavam em gabinetes. Você tinha que ir ao Badep para ver. Podem até ter sido expostas, mas nunca foi exposto o acervo todo.
Que destino será dado ao conjunto das obras do Badep? O acervo vai enriquecer os museus estaduais?
Esta coleção não será desmembrada, não irá cada obra para um museu. Ela é uma coleção que vai ficar permanente e vai se chamar Coleção Badep. Ela vai ficar inteira, como existe em outros lugares porque, assim, historicamente, você vai ver como essa coleção se constituiu. As camadas do tempo com que ela foi construída. Além de ser importante poder mostrá-la sob este prisma, também tem a importância do ponto de vista histórico das artes no Paraná.
Esse conjunto será mostrado apenas em Curitiba, ou pretende-se torná-lo itinerante?
Nossa idéia é de que a coleção visite algumas cidades do Paraná que tenham condições de recebê-la. Terá uma itinerância, logicamente, porque isso é muito importante. Afinal o Badep era um banco do Estado, então seu acervo pertence à população paranaense.
A Secretaria da Cultura teria interesse em outras coleções, a exemplo do que ocorreu com o Badep?
Sim. Já propusemos ao presidente do Banco do Estado que também vê este interesse com muita simpatia que as obras de arte pertencentes ao Banestado venham a constituir uma coleção semelhante a do Badep.
Foi uma conversa preliminar ou já existe entendimento entre as partes?
Estamos em entendimento. Aliás, desde que nós entramos aqui, nossa preocupação vem sendo essa, de que esses acervos não se percam. É muito legal a gente ter esse retrospecto. As obras do Banestado vão da tapeçaria à gravura, escultura, desenho, pintura a óleo, acrílica. Espero que até metade do ano a gente tenha essa mostra.
Essa sua atitude de preservação implica numa filosofia de trabalho da secretaria?
Exatamente. Primeira questão é conseguir que esse acervo não seja desmembrado, e que ele possa estar à disposição. Nós vamos dar às obras o carinho que elas merecem. É importante que o público saiba que a gente está recebendo esses trabalhos, e que eles estarão expostos aqui na Secretaria. Com isso estamos dando retorno daquilo que o banco comprou. E volto a dizer, era um banco de estado. O público vai ter surpresas, como eu tive, de ver coisas que nunca tinha visto na vida.
Recentemente o acervo Memória do Bamerindus veio para a guarda da Secretaria da Cultura. Como está esse projeto?
É um superprojeto. Estamos dando um tratamento especial ao material para que, o mais rápido possível, ele seja colocado à disposição do público. Foi para isso que nos colocamos como destinatários. Como também vai ser a coleção do Banestado. Ainda como temos interesse na guarda da área de artes plásticas do antigo Bamerindus. Espero contarmos com o apoio da família, para que isso possa acontecer. Enfim, estamos dando provas daquilo que a gente consegue e como a gente devolve ao público.Acervo do antigo Badep, que reúne obras de valor, está exposto na Secretaria de Cultura do Paraná
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