A obra erótica de Pablo Picasso, confinada durante longo tempo em espaços privados e reservas de museus, está sendo exposta pela primeira vez na Galeria Nacional do Jeu de Paume de Paris.
Mais de 300 desenhos, gravuras, pinturas e esculturas integram a exposição ‘‘Picasso erótico’’, de 20 de fevereiro a 20 de maio, antes de ser transladada sucessivamente ao Museu de Belas Artes de Montreal e ao Museu Picasso de Barcelona.
Gérard Régnier, diretor do Museu Picasso de Paris, considera que este acontecimento permitirá uma ‘‘releitura de um pintor intimista, cheio de ternura, muito afastado da imagem de selvagem ou monstro canibal com a qual alguns gostam de descrevê-lo’’.
‘‘Segundo certas opiniões, abordar a obra de Picasso desde o ângulo erótico equivalia a mostrar o ‘lado sujo’ do artista, como lhe teria apresentado a escritora Gertrude Stein. Diz-se também que Picasso sentia repugnância pelo corpo das mulheres’’, disse.
‘‘Ocultou-se portanto esse aspecto de sua obra. E entretanto, em certo sentido, a obra de Picasso é inteiramente erótica: a criação procede nela sempre, com efeito, do impulso sexual. Desde os primeiros desenhos, aos 8 anos, que deixam ver um interesse precoce pela mulher, até os últimos, realizados alguns dias antes de sua morte’’.
A exposição mostra que a carreira do maior pintor do século XX se desenvolveu à luz de Eros. A diversidade das obras -‘‘inapresentáveis nos Estados Unidos, país moralista e politicamente correto’’, segundo Guy Cogeval, diretor do Museu de Belas Artes de Montreal - é organizada em três períodos principais.
O primeiro, de 1899 a 1907, agrupa os numerosos desenhos e aquarelas feitos nos bordéis de Barcelona que o jovem Picasso frequentava assiduamente na sua iniciação amorosa. Há também aquarelas e desenhos muito ternos.
Nos anos 30, sob a influência de duas grandes paixões que o artista viveu com Marie-TherSse Walter e Dora Maar, triunfa o ‘‘Minotauro’’, encarnação da força viril e da fecundidade.
Gérard Régnier diz que ‘‘essas uniões quase míticas com Dora, a deusa furiosa, ou Marie-TherSse, divindade da Lua e do Sol, à medida em que se precisam as ameaças de um conflito mundial, adquirem o aspecto de uma guerra de sexos implacável, cuja crueldade alimentará o imaginário dos surrealistas’’,
A terceira parte da exposição cobre o fim da vida de Picasso, de 1969 a 1971, no qual a falta de vigor da idade avançada é suplantada por um voyeurismo desenfreado. Este período produziu a formidável série de obras-primas da gravura ‘‘Raphael et la Fornarine’’, na qual um papa primeiramente escondido atrás de uma cortina vai se aproximando progressivamente dos amantes para observá-los melhor.

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