Arte à flor da pele
Jackeline Seglin
De Londrina
O Cabarezinho abriu suas portas anteontem, em Londrina, com uma apresentação de teatro e shows de Bernardo Pellegrini e o Bando do Cão Sem Dono e da cantora argentina Natalia Mallo. O evento cultural, um mix de música, dança, teatro e outras manifestações artísticas, termina amanhã, no quarto dia de atrações.
Um dos diferenciais do Cabarezinho é a ambientação muito próxima a do Cabaré do Filo. Logo na entrada, a interpretação de uma floresta. Nas paredes, uma exposição de artes plásticas. Ao lado, uma aconchegante caverna instalação do artista plástico Eduardo Tadeu serve de refúgio para os menos ligados em barulho. Lá dentro, uma televisão mostra imagens do Bando do Cão Sem Dono em São Paulo e, para quem preferir, até desenho animado.
O caminho que leva ao centro do Cabarezinho prossegue pela porta estreita com uma cortina de bambu. Um ambiente bem mais escuro: lá está o bar e o mestre-de-cerimônias, Marco Gomes, dando as boas-vindas ao público. Em outro ambiente, a concentração de pessoas... e atrações. A lojinha com produtos produzidos por artistas locais, uma sala para os fissurados em tatuagens e também para os que ainda não tiveram coragem de fazer uma. Os curiosos vão gostar de atravessar o pequeno corredor sensorial e descobrir o que tem atrás do pano.
Para os que preferem um bate-papo, tem sofás, mesas e cadeiras espalhados pelo barracão. Mas é do palco musical que saíram os destaques da noite. Nele, Bernardo Pellegrini e o Bando embalaram músicas do CD Quero Seu Endereço e algumas composições novas. Entre elas, Deus Lhe Pague, Os Dias, Saudade do Paraná, Se Liga na Manobra, Homem é Bom, Gilete, Bateu e Carro Forte. Enquanto a maioria fica atenta ao show, arriscando acompanhar algumas letras, outros usam os cantos discretos para ensaiar uns passos e chacoalhar com o ritmo do acordeão tocado por Marco Scolari.
Fim de show. Do primeiro. Natalia Mallo, a argentina que mora em São Paulo, sobe ao palco para dar continuidade à programação. Ela cantou acompanhada do baixista Mintcho Garramone e do baterista Edu Nader. No final, o público pediu bis. Quando tudo parecia ter acabado, um grupo de batuqueiros o Samanar, de Londrina invade o salão principal aglomerando-se em frente ao palco. Mais que depressa o público aderiu e sacudiu... até altas horas.
Ah, o Cabarezinho tem o Araucana. Na verdade, um revival do bar que marcou época na noite londrinense no início da década de 90. Não com o mesmo ambiente típico. A marca está nas empanadas de Gabriela Contreras e na efervescente bebida El Diablo.
Simplesmente falar do Cabarezinho não é a mesma coisa. O negócio é se integrar ao ambiente. E criar o clima.Até amanhã o público pode curtir o Cabarezinho em Londrina, um espaço em que todas as alternativas levam à arte
César AugustoBernardo Pellegrini e o Bando do Cão Sem Dono no show Quero Seu EndereçoCésar AugustoFloresta do Cabarezinho: um ambiente para curtir de forma lúdicaCésar AugustoEspaço tem até uma lojaCésar AugustoO público tem vários ambientes para bater-papo, descansar ou namorarCésar AugustoNo meio da festa, exploradores descobrem uma caverna de papel





