Arro(m)ba ponto com ponto cwb
A coisa toda começou com um projeto, o ‘‘Rock Around Curitiba’’, que, atento à existência de um circuito alternativo em expansão (com o surgimento de novas bandas e espaços), tinha como objetivo divulgar as músicas e artistas locais, inserindo-os dentro da programação da Rádio Transamérica de Curitiba e conferindo a eles a mesma ênfase dada aos artistas das grandes gravadoras. O projeto entrou no ar em agosto do ano passado e dois meses depois as músicas de bandas como Cartoon, Numtemcaô, Cores D Flores, Fuksy Faluta e Batuque de Brancodoido já estavam na programação da rádio. O próximo passo será lançar em CD as bandas que fazem parte do projeto.
A iniciativa, é claro, despertou a atenção de outras bandas, dispostas a conquistar espaços um pouco mais amplos do que o das garagens, e desencadeou uma série de ações destinadas a fazer uma ‘‘ponte’’ entre público, casas noturnas e artistas. Entre essas ações está o movimento ‘‘arromba’’ (assim mesmo, com minúscula), que, na prática, consiste na reunião de artistas curitibanos para trocar informações sobre assuntos relacionados à música local.
Os encontros, coordenados por Mauro Mueller, acontecem todas as quartas-feiras, a partir das 19 horas, na sala de reuniões do hotel San Diego, na Rua Augusto Stellfeld, e, para participar, não há necessidade de cadastro, filiação ou inscrição – é só aparecer. Já fazem parte do movimento bandas e artistas como Catalépticos, Relespública, Zigurate, Bartenders, Ovos Presley, Ziriguidum Pfóin, AAAMalencarada, Month the Boston, Dalila, Sweet Mini-Mau, Oaeoz, Connes, Batuque de Brancodoido, Fuksy Faluta, Iguana Dead, Chateau Lunar, Cores D Flores, Cartoon, Striq, Los Cuervos, Stigma, Da Vinci, Faus, João-Sem-Braço, Diego Costa, Helen Carvalho, Macondo, Descalços na Areia, Nameles, Rodrigo Duarte (‘‘Digao’’), Organização JK (Janaína/Karen), No Milk Today, Sexy Porco Soluça, Babilônicos, Yoni’s, Eletro Silvino e os Craquinhas do Asfalto, mais o pessoal do Jornal do Músico e da Franzini Records e da Mais Records (que estão voltando à ativa com mais força).
Como resultado das reuniões do ‘‘arromba’’, está em fase de finalização um site na Internet, que contará com informações sobre os artistas que aderiram ao movimento, programação de shows, lançamentos de demos e CDs, entre outros tópicos. A intenção é tornar o site o mais diversificado possível, abrangendo os vários gêneros, subgêneros e tendências, de modo a evitar que o ‘‘arromba’’ assuma as características de uma ‘‘panelinha’’ na qual uns poucos têm vez.
Por isso mesmo, é importante que um número cada vez maior de artistas marque presença nos encontros do ‘‘arromba’’, tornando mais fértil o intercâmbio de idéias e informações e mais produtivas as ações do movimento. O único problema vai ser achar uma sala de reuniões maior. Quando às vantagens, são muitas. Além do fortalecimento das bandas e do incremento de sua divulgação, a união dos artistas locais estimula a criação de novos espaços para os shows (exemplo disso são os bares que, até recentemente, só apresentavam bandas ‘‘cover’’ e agora estão dando oportunidades para bandas com repertório próprio), a qualidade (leia-se: profissionalismo) dos shows e das gravações, bem como dos estúdios, uma presença maior dos discos dos artistas curitibanos nas lojas, o aparecimento de novas selos independentes e a projeção da cena local em âmbito nacional.
É inegável que nos últimos anos tem havido um ‘‘boom’’ de bandas independentes em Curitiba e é igualmente inegável que o som produzido pela maioria delas é ainda incipiente, tosco e pouco profissional. Os shows – em especial aqueles realizados em lugares pequenos e realmente alternativos – são, em geral, divertidos (eu mesmo – aos 44 de idade, preferindo ouvir em casa música experimental – sempre que posso, visto meu ‘‘uniforme’’ preto e vou conferir as apresentações), mas o fato é que isso não basta.
Se o sujeito quer fazer música (não importa de que gênero) precisa estudar música, aprimorar-se tecnicamente, aumentar o seu cabedal de informações e alargar o seu horizonte musical. É isso, ou é a repetição de erros, a frustração de sonhos, a efemeridade. Como sintoma, um movimento como o ‘‘arromba’’ – incentivando uma ampliação do cenário local, o nível de organização e colocando a garotada na Rede – é altamente positivo. Há que vê-lo com bons olhos e acompanhá-lo com ouvidos atentos, cuidando para que os seus objetivos não se percam.

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