Arrigo revisita Clara
Nelson Sato
De Londrina
Só dá remakes na temporada. Nunca, pelo menos nesta década, tantos artistas lançaram discos de regravações ao mesmo tempo. As revisões proliferam do pop à MPB em formatos acústico, ao vivo ou remix. Um artista, porém, insere-se como um bastardo na tendência.
Arrigo Barnabé, 48 anos, revisita seu álbum de estréia com mais ambições estéticas ainda do que aquela que marcou a versão original lançada em 1980. O compositor londrinense repaginou na íntegra o disco Clara Crocodilo, obra máxima da vanguarda paulistana e que volta ao mercado pelo selo Thank God com distribuição pela Eldorado.
O viés agora é erudito, sinfônico e não mais popular. As gravações foram realizadas ao vivo em fevereiro deste ano no Teatro Sesc Ipiranga, em São Paulo. Arrigo arregimentou 14 músicos numa formação orquestral que incluiu trompa, trumpete, clarinete, violino, viola, violoncelo, tímpanos e vibrafone.
Seu irmão, Paulo Barnabé, assinou a produção, um arranjo e tocou vários instrumentos de percussão. As cantoras Tuca Fernandes, Ana Amélia e Miriam Maria subsituíram Vânia Bastos e Suzana Salles. Mais encorpada, a sonoridade do disco recebeu ainda um tratamento de estúdio com tecnologia de ponta mixado em sistema dolby-surround (o mesmo do home theater). A versão traz também alterações em sua estrutura.
Uma das novidades é a divisão da saga de Clara Crocodilo em cinco partes: As Desventuras de um Office-boy, O Monstro, Quem Cala Consente, Labirinto e Onde Andará Clara Crocodilo? O texto de abertura também foi modificado. A narração feita no vinil nunca tinha sido feita em shows, por isso, Arrigo optou pelo texto narrado nas apresentações ao vivo. O resultado impressiona. A seguir, leia entrevista com o compositor parananense.O cantor e compositor Arrigo Barnabé gravou ao vivo e está lançando em CD uma nova versão de seu disco Clara Crocodilo
Arquivo FolhaArrigo Barnabé sobre sua peça sinfônica: É uma das possibilidades da música erudita para o século 21





