São Paulo, 03 (AE) - Um arrastão de sons eletrônicos percorre o Sesc Vila Mariana, em São Paulo, a partir de amanhã (04). São ao todo 16 atrações nacionais e uma internacional, o DJ inglês Gavin King, codinome Aphrodite, um dos pioneiros da acid house e precursor do movimento clubber em Londres (hoje discípulo do jungle), que toca pela primeira vez no Brasil.
Entre as principais atrações nacionais está o filho de Dedé e Caetano Veloso, o estudante de Física Moreno Veloso, de 26 anos, que se apresenta com os parceiros Monaural e Harold. Otto, dissidente do grupo Mundo Livre S/A, que tem conquistado uma simpatia rápida da mídia com seu disco de estréia, toca no sábado em parceria com André Abujamra, frontman do Karnak.
O serralheiro Loop B volta a dar as caras e as furadeiras também no sábado. E tem espaço até para um velho guitar hero, Edgard Scandurra (ex-Ira!), que agora é o braço direito do cantor e compositor Arnaldo Antunes. Scandurra, para quem viu o show de Arnaldo na semana passada no mesmo Sesc Vila Mariana, é a alma do espetáculo, com seu estilo meio The Edge, meio Marc Ribot.
Mas tem muito mais: Marcelo D2, autor do disco de rap mais festejado do ano passado, "Eu Tiro É Onda", toca amanhã também em parceria com Emert. D2, de 32 anos, preconiza uma saudável união entre a cultura do hip hop americano e a tradição da música popular brasileira, de Tom Jobim a Jovelina Pérola Negra.
João Parahyba e o produtor iugoslavo Mitar Subotic, o Suba, radicalizam um trabalho que já tinha sido intuído por Chico Science, misturando ritmos eletrônicos com muita percussão afro- brasileira, particularmente os ritmos típicos do nordeste brasileiro. O resultado parece estar na confluência entre uma world music e a MPB.
"São peças rítmicas reprocessadas ao vivo", diz Parahyba (que, apesar do nome, é paulista de São José dos Campos). "A idéia é mostrar para a garotada o que se pode fazer hoje na MPB, usando a tecnologia e a linguagem moderna para fazer a nossa música", pondera.
A cantora baiana Daúde, agradável revelação de 1997 que anda meio sumida, dá as caras novamente, apresentando-se com o Nude, rebento dos clubes de São Paulo, que define seu som como "trance techno hipnótico". O Nude (projeto da dupla Gonçalo Vinha e Marcelo Gallo) está preparando seu primeiro álbum para ser lançado em breve pelo selo Mundo Mix Music (ligado à Sony do Brasil), e que leva o nome The Fabulous Dream of a Man.
O drumnbass mais pesado e as variações do jungle, como o break beat, estão nos trabalhos de grupos como o Anvil FX, criado pelo músico e sonoplasta mineiro Paulo Beto. E também no do grupo Friendtronik, que busca uma batida pesada na cultura de rua de São Paulo - em especial da zona leste -, dando novo sentido ao jungle inglês. Também tem um CD prontinho para ser lançado pelo Mundo Mix Music, esperando oportunidade.
O Concreteness representa a conexão caipira da música eletrônica. Vem da cidade de Santa Bárbara DOeste, cerca de 300 quilômetros de São Paulo. Surgiu em 1995, na coletânea Pircorococór, pelo selo Banguela Discos.
O músico paulistano Loop B, codinome de Lourenço Prado Brasil, é uma espécie de mutação de Hermeto Paschoal, fazendo música a partir de sucata e de instrumentos domésticos e mecânicos tradicionais. Costuma tocar em máquina de lavar, tanque de gasolina, fogão, painel e portas de carro e com a furadeira.
Loop B ainda integra o Gasoline Drink, que se apresenta no domingo. Ele insere no grupo - formado ainda por Jean Grimard e Fabrício - sua experiência na percussão "sucateada". Além dos samplers e dos programadores, o grupo tem uma bateria acústica ao fundo, tocada por Fabrício, fazendo um som mais pop e acessível do que o do projeto-solo de Loop B.
"Acho que a receptividade para esse tipo de música eletrônica é muito maior hoje em dia", diz Loop B, que crê que foi o sucesso do grupo britânico Prodigy que ajudou a romper a resistência e os preconceitos em torno desse som. "De qualquer forma, existe a possibilidade de fazer música globalizada que pode ser ouvida em todo o mundo; uma música que, se você ouvir no rádio, não sabe de onde é", avalia. SERVIÇO - "Tribos Eletrônicas". Amanhã (04), DJ Ramilson Maia, Monoaural, Moreno Veloso e Harold, Emert e Marcelo D2, Nude e Daúde, e M4J. Sexta-feira, DJ Camilo Rocha, Anvil FX, Habitants, Edgard Scandurra e Arnaldo Antunes. Sábado, DJ Aphrodite, Concreteness e André Abujamra, Loop B, Otto e André Abujamra. Domingo, DJ Marky Mark, Gasoline Drink, Friendtronik, João Parahyba e Suba e Marcos Suzano. De amanhã a sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. R$ 10,00. Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3000.

mockup