'Arrasta-me para o Inferno' mistura terror com comédia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Cássio Starling Carlos<br> Folhapress 
O logotipo da Universal com o globo rodando aparece quando se apagam as luzes e se anuncia que vamos assistir a um filme clássico de terror, produzido pelo estúdio que, desde os anos 1930, garantiu fama e bons resultados a esse gênero. O prólogo confirma que ''Arrasta-me para o Inferno'' (confira a programação de cinema na pág. 2) é um retorno de Sam Raimi a suas origens, depois de conquistar meio mundo com o sucesso da franquia ''Homem-Aranha''. O diretor emergiu no início da década de 80 com a série ''A Morte do Demônio'', ''Uma Noite Alucinante'', uma delirante interpretação dos códigos do filme de terror cujos efeitos de trem-fantasma, além dos bons sustos, promoviam sucessões de gargalhadas na plateia.
Nesta retomada do repertório do pavor, a gente também se assusta e ri muito dos padecimentos da bobinha Christine Brown, funcionária de banco que decide seguir as regras rígidas da economia e não obedecer ao que manda seu coração.
Uma leve cobiça é o que a move, ao tentar alcançar o cargo de assistente de gerência do banco de empréstimos em que trabalha. Para provar eficiência, nega mais prazo a uma velha com aparência de bruxa má que um dia chega até sua mesa. E termina amaldiçoada.
Além desse recurso de conto moral, no qual o filme lança uma punição do outro mundo a uma funcionária que serve às engrenagens capitalistas, outros personagens abrem espaço para quem queira fazer interpretações simbólicas.
O subtexto dessas referências, no entanto, não ocupa tanto a atenção, pois é na ação e no uso de efeitos antiquados que ''Arrasta-me para o Inferno'' mantém o espectador ligado.
Uma primeira situação de riscos, passada numa garagem no subsolo do banco, brinca com o medo infalível que temos da imagem da bruxa. Nela, o filme demonstra estar mais interessado em reutilizar uma tradição mais artesanal de efeitos especiais, baseada em animações e truques de maquiagem, que em adotar as possibilidades das tecnologias digitais, que deixam tudo mais perfeito do que permite a verossimilhança.
Com ''Arrasta-me para o Inferno'', Raimi segue a lógica bem-sucedida das maldições e deixa, de propósito, o fim aberto para que outros retornos aconteçam.


