São Paulo, 02 (AE) - A história da "conquista dos céus" de São Paulo é uma história de controvérsia e paixões exacerbadas. Em 1924, quando começou a surgir na paisagem do Anhangabaú o Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu do Brasil (construído pelo comendador Giuseppe Martinelli), a população evitava passar por perto, com medo de um desabamento. Mas o Martinelli e seus 27 andares está lá e se tornou um símbolo da cidade, uma espécie de reserva visual no skyline feio e desgrenhado do centro da cidade. O segredo desse edifício: na verdade, o Martinelli nunca quis ser só uma torre, mas marcar sua época.
A luta pela conquista do espaço só começou mesmo na década de 40, com a construção do edifício-sede do Banespa, com seus 161,22 metros de altura. Com projeto original de Plínio Botelho do Amaral, foi durante duas décadas o prédio mais alto do País, com 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1.119 janelas. Mas veio o Edifício Itália e a supremacia aérea mudou de dono. Até a rainha Elizabeth já experimentou a vista daquele terraço. Foi inaugurado pelo prefeito Faria Lima no dia 29 de setembro de 1967 e seu restaurante é até hoje uma referência dentre a paisagem cosmopolita da paulicéia. No meio de tudo isso
há alguns capítulos especiais. O Edifício Copan, projetado em 1951 por Oscar Niemeyer, é um dos mais curiosos.
Inaugurado em 1957, tem 120 mil metros quadrados de área construída e a idéia é que ficasse pontro para as comemorações do 4.º Centenário de São Paulo, em 1954. Entrou para o Guinness Book por conta de uma peculiaridade: era o maior edifício residencial do planeta, com 1.160 apartamentos distribuídos pelos 35 andares da construção. Recentemente, passou por problemas graves de administração e estrutura. Um dos seus mais célebres moradores - que já saiu de lá - era o dramaturgo Plínio Marcos. O Edifício Dacon, inaugurado no início dos anos 80, veio trazer a opulência das torres de vidro para São Paulo. Formado por uma torre cilíndrica de 96 metros de altura com vidro japonês esverdeado, tornou-se símbolo de sofisticação e de poder no começo daquela década. Viveram lá, entre outros, o ex-ministro (já morto) Dílson Funaro, o ex-ministro Ozires Silva
a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello.
O fato é que o prestígio de um edifício, em São Paulo, não está relacionado com o impacto de sua chegada e de sua ambição avant-garde. De uns tempos para cá, a cidade passou a revalorizar sua história. E recupera outros símbolos, os de interesse artístico e arquitetônico. Como o Shopping Light, que está em fase de recuperação acelerada no centro. Construído na década de 20, é uma beleza ali ao lado do Teatro Municipal, com suas escadas de mármore italiano, azulejos portugueses e pisos em mosaico. (J.M.)

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